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Um passo nunca vem só

Um passo nunca vem só

O fim das dietas! #9

Se não me falham as contas fiz 6 dietas diferentes (algumas repeti em diferentes ocasiões). Fui durante alguns anos um caso típico da miúda das dietas iô-iô: perde peso durante a fase de acompanhamento nutricional, deixa de ser acompanhada e recupera todo o peso e mais uns gramas de bónus. Been there, done that.

 

A primeira tentativa de dieta foi uma verdadeira anedota! Tinha começado a trabalhar havia pouco tempo e ainda partilhava casa com duas colegas. Uma delas teve conhecimento da dieta da seiva. Comprava-se a seiva líquida numa ervanária, diluía-se em água e depois era só substituir refeições pelo líquido. Desejosas de sucesso imediato optámos pela modalidade radical: todas as refeições substituídas, e só bebíamos seiva ao longo do dia.

 

Durou 2 dias e meio… Estávamos de tal maneira famintas que ligámos para a uma pizzaria com entregas ao domicílio, pedimos uma pizza familiar e não ficou nem uma migalha para contar a história. No lugar das migalhas, ficou uma valente má disposição. Fim da dieta.

 

As outras dietas já foram menos absurdas. Umas apenas com visita à nutricionista e um plano alimentar com gramas para a carne, o peixe, arroz e massa medidos à colher, líquidos religiosamente medidos e as visitas de policiamento para garantir que os deslizes não eram muitos. Outras dietas tiveram direito a suplementos, comprimidinhos milagrosos para redução do apetite, vitaminas para as carências, blá, blá, blá. Numas atingimos o objetivo, noutras nem tanto. Até à época do bikini o assunto ficava tratado e já podia abrir as hostilidades às Bola de Berlim, aos gelados, ao pão bem engordurado da sardinha assada, à sangria bem docinha e outros que tais. Perde kilos, ganha kilos. Isto para mim era o registo ideal! 3 meses a penar, 9 meses à larga!

 

Mas os metabolismos também sofrem crises de humor, e há um momento em que se zangam e deixam de aturar esta ramboia. Querem ser respeitados e deixam de responder com a mesma eficácia aos cortes temporários…

 

Durante a minha última gravidez, abusei. Mas quando digo que abusei, abusei mesmo muito. Eu costumo dizer que “tenho uma cabeça gorda” ou “penso gordo”. Gosto de comer, gosto de encher a barriga com comida que só faz mal.

 

Para mim as pessoas podem dividir-se em 3 categorias: há as pessoas “eu nem ligo muito a doces, o pior é o pão”, há as pessoas “o meu mal são os doces, sei exatamente onde tenho de cortar” e por fim há as pessoas “o meu mal é gostar de comer de tudo… e muito”, onde me incluo. Com carinho e a propósito desta minha aptidão para enfardar recordo o anúncio da Planta dos anos 80, em que o entrevistador pergunta “Quem é gosta mais de Planta lá em casa?” e a lady responde “Ai, sou eu! Sou uma lambona!”.

 

https://www.youtube.com/watch?v=iYdhtiHIAkE

 

Pois aqui a lambona, durante a gravidez da Maria fazia, com regularidade, lanches de crepes com morangos e chantilly, tijelas de papa maizena bem açucarada, torradas com manteiga de vaca a deitar pingo, e tudo mais o que apetecesse. Ora já dizia o ditado “no comer e guerrear, o mal é começar”. No final da gravidez tinha mais 12 kilos. Até nem era assim um grande disparate, não fosse ter tido a Maria e ter continuado a comer no mesmo registo. Feitas as contas, 6 meses depois o parto continuava com uns magníficos 72kg.

 

Como amamentei durante 9 meses também não me podia dedicar a uma dieta muito radical, ainda assim não fossem faltar nutrientes no leite materno. Mas foi ainda neste período que tomei conhecimento da Dieta dos 31 Dias, da Ágata Roquete e comecei a seguir algumas receitas que contribuíram para o fim das minhas dietas e o início da minha reeducação alimentar.

 

Nós alimentamo-nos mal. A sociedade em que vivemos, que privilegia micro-ondas e fast-food, que nos oferece embalagens de snacks para todas as ocasiões, a falta de vontade, de paciência e de tempo efetivo para arranjar legumes, leva-nos com facilidade a optar só pela cozedura da massa e do arroz, pelo molho da embalagem e pela bolacha do pacote. Dá trabalho comer diferente, mas é fundamental que o façamos, pela nossa saúde e daqueles que alimentamos. É só uma questão de hábitos, de mudar a lente sobre o que são as nossas opções de refeição.

 

Não sou nutricionista, mas sou informada o suficiente para perceber que pela via mais fácil envenenamo-nos facilmente com excesso de açúcares, de gorduras saturadas, de sal, hidratos de carbono em geral. E os excessos acabam com a nossa qualidade de vida, com a nossa auto-estima, os excessos matam.

 

O meu desespero para perder peso rapidamente antes do batizado da Maria, levou-me a optar uma vez mais por uma dieta radical, onde tudo o que eu podia comer vinha em saquetas, pacotes, caixas e caixinhas da marca da dieta. A verdade é que perdi 8 kg num mês. A verdade também é que já me tinha mentalizado que as receitas da Dieta dos 31 Dias tinham entrado lá em casa para ficar. A verdade é que espero que tenha sido a minha última dieta.

 

É assim que eu acho que acabam as dietas. Quando descobres alternativas. Quando naturalmente começas a substituir lanches e snacks que eram de bolachas, batatas fritas, pães-de-leite, iogurtes com cereais, pão com nutella e afins, por palitos de cenoura com fiambre, queijinhos magros com pão de centeio, papas de abacate com flocos de aveia, queijo quark com sementes, tostas integrais com atum em água, etc. Quando os legumes salteados, assados, cozidos ou crus assumem o seu lugar à mesa como qualquer outro membro da família, sempre presente, em vez da cesta do pão, da sobremesa e do refrigerante.

 

Estes são pequenos, micro, exemplos de coisas que, entre muitas outras, com o hábito se adquirem e já não se perdem, coisas que se ganham e das quais já não se abdicam, porque aprendemos a gostar delas e a simplificar.

 

Quando intensifiquei a atividade desportiva senti necessidade de procurar aconselhamento nutricional adequado para combater a fadiga para potenciar o aumento da massa muscular e a diminuição da massa gorda. Foi outra aprendizagem, outro passo na minha reeducação alimentar, entre Dezembro de 2015 e 25 de Agosto de 2016. Neste período trabalhei para um objetivo de massa muscular e massa gorda que finalmente atingi. Agora cabe-me a mim tirar o melhor proveito daquilo que aprendi que funciona com o meu organismo para estar onde eu acho que mereço e manter-me por aqui.

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E quando o sofá fala mais alto? #8

Há dias tramados! O trabalho aperta, há muita coisa em casa para fazer, os miúdos precisam de atenção e quando chega o nosso momento, o sofá está ali a piscar-nos o olho, calha a todos. Resistir-lhe? Não é fácil...

 

O truque para fugir ao assédio do sofá é a regra.


Até ao final de 2014 (comecei a correr efetivamente em Setembro) não tinha regra. Ia correndo à medida do que apetecia, do jeito que dava. Algumas semanas corria 5 dias, a maior parte conseguia correr 2 dias, outras semanas não havia um único dia dedicado à corrida. E não fazia mal nenhum, nem bem.


Em Dezembro de 2014 recebi um convite, via Facebook, para aderir a um evento promovido pela Run Is a Gift chamado “Desafio Correr 100 Dias em 2015”. Um desafio simples com um conjunto de regras simples:


“Correr no mínimo 100 dias em 2015 (pelo menos 1 km) a começar no dia 1 de Janeiro!

As 4 regras são simples:

#1 Não deixar passar 3 dias sem correr.
#2 Correr pelo menos 3 vezes por semana.
#3 Não falhar nenhuma segunda-feira.
#4 NUNCA desistir”


A regra #3 acho que cumpri, meia dúzia de vezes. A 2ª feira, de facto, não era um bom dia para eu correr. As outras 3 regras são de ouro! Foram uma verdadeira bússola e o trampolim para aquilo que todos nós precisamos: instalar o hábito e gerir o compromisso.

 

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Isto não se aplica a uma pessoa que tenha um plano de treinos muito rígido, mas quem está nesse patamar muito provavelmente tem outras bússolas, outros incentivos. Quem está só à procura de um incentivo para correr de forma regular, pode ter neste tipo de desafios um bom aliado.


E esta atividade desportiva presta-se a este tipo de desafios! Não estás dependente de um horário de abertura e de fecho de um espaço, não ficas constrangido porque pagaste e não estás a conseguir cumprir, nem tens que pagar mais se quiseres ir mais vezes e por aí adiante. Qualquer hora, em qualquer dia, podes fazer cumprir a tua vontade de honrar o compromisso com o desafio, que é só contigo.


Nunca precisei correr só 1 km. Houve dias, porque acabei por participar em estafetas, em que fiz pouco mais de 2 km. Houve dias em que o despertador tocou às 06h30 e outros em que a corrida começou num dia e terminou no outro (já passava da meia noite) mas o compromisso foi honrado, a corrida foi feita e a regra foi cumprida.


Também houve dias para quebrar as regras, para estar mais de 3 dias sem correr e para desistir a meio de um treino. Faz parte. Mas o foco foi sempre: responder às regras do desafio. A verdade é que dia 22 de Agosto de 2015 tinha o desafio dos 100 dias cumprido, mas mais do que isso, tinha o hábito de correr 3 vezes por semana instalado, tinha a minha vida organizada em função desse compromisso e era possível continuar. Mantenho estas regras até hoje (o mais possível, claro!).


Outro auxiliar precioso no meu caso foi ter encontrado os grupos de corrida! Cada um sabe de si e cada um avaliará os benefícios que lhe traz correr em grupo. Para mim é como faz mais sentido: em grupo.


Claro que muitas vezes corro sozinha, muitas vezes corri só com o meu marido, mas muito mais vezes corri em grupo e é onde prefiro correr a maior parte das vezes, em última análise o que vale, é o que te motiva.


Tem coisas boas, tem coisas muito boas e também tem coisas chatas porque “melros e pardais, não somos todos iguais”. Mas a verdade é que, saberes que há um sítio onde vais encontrar outros como tu, que gostam de correr, que também têm dias onde a vontade não abunda, onde não te vão deixar ficar para trás (ou onde vão voltar atrás por ti), onde vão puxar por ti e insistir, onde vais fazer planos, para um treino diferente, ou para a próxima prova, onde sentes que podes desafiar e ser desafiado sem que te julguem como o “maluquinho da corrida”, esse é o sítio onde vais querer estar. Ainda por cima, sem compromisso, sem joia, sem mensalidade e, quase sempre com boas gargalhadas à mistura.


Tenho a sorte de, na cidade onde vivo, existirem dois grupos de corrida informais que se juntam com regularidade, onde qualquer pessoa pode aparecer e juntar-se a um treino: Correr em Évora (https://www.facebook.com/correremevora) e Évora Night Runners (https://www.facebook.com/evoranightrunners).


O Correr em Évora, no qual sou participante ativa, tem a particularidade de organizar os treinos regulares, durante a semana, ao final da tarde (normalmente com início entre as 18h30 e as 19h30, mas pode sempre variar), com ponto de encontro na rotunda Manel da Gaita, a das bicicletas. Funciona de maneira muito regular durante o ano letivo, com treinos variados, e um dia especial para quem se está a iniciar, mas quando o calor começa a apertar e fica difícil correr neste horário, as corridas em grupo começam a não ser tão frequentes, mas ainda assim vão existindo.


O Évora Night Runners, com os quais corro também bastantes vezes, principalmente no Verão, tem a particularidade de organizar corridas à noite. Muito regulares na programação, às 2ªF e 4ªF não falham os treinos, com início às 21h30 na rotunda das Portas da Lagoa.


Dito isto, quem quer evitar que o assédio do sofá leve a melhor, monta a sua estratégia. Pontapé nas desculpas, nos argumentos refutáveis! O meu sofá? Há 2 anos que se vê grego comigo… mas também temos os nossos momentos, naturalmente!

 

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Saltos altos forever!!! #7

Quando as dores da corrida nos começam a atacar o corpo tendemos a relativizar (acho que acontece a muita gente). Tomamos uns anti-inflamatórios, abrandamos os treinos, tomamos mais uns anti-inflamatórios e esperamos que vá passando.

 

Foi o que fiz durante uns bons meses até que as dores me venceram.

 

O primeiro passo dei-o após a meia-maratona dos descobrimentos e na verdade, nunca mais o larguei. Foi nesta altura que experimentei pela primeira vez a massagem desportiva para recuperação muscular. Não exige muito tempo, cerca de 30 minutos, e é absolutamente milagrosa.

 

Com o passar do tempo, à medida que treinamos ou participamos em provas, ainda que possa ser com pouca intensidade, a verdade é que a fadiga muscular se vai acumulando. A massagem desportiva que faço, de resto sem uma periodicidade definida, mas sempre que acho que se justifica, ajuda-me a aliviar a tensão muscular, alguma rigidez e tenho também a noção que é um bom auxiliar para prevenir alguns problemas que podem ser até agudos, mas que a massagem evita que se tornem crónicos. Não raras vezes, deixei de sentir algum desconforto muscular pela via destas massagens. E aqui só posso falar do que conheço, das mãos fantásticas da Rita Barroso que, no Centro Terapêutico Equilibrium, me tem tratado de forma absolutamente fantástica.

 

Depois há outras dores que são devidas à nossa postura, que facilmente fica desalinhada. O que tem a ver com a estrutura óssea não se resolve com massagem. Também em boa hora fiquei a conhecer as maravilhas da Osteopatia. Não é uma especialidade para se recorrer de forma tão regular como as massagens, mas é também um excelente aliado de quem está atento aos sinais do corpo. Uma consulta na hora certa previne que certas dores se instalem por demasiado tempo. Comigo tem resultado lindamente!

 

A dor no pé de facto chateou-me durante muito tempo. Depois da primeira meia-maratona resolvi então procurar o Podologista! Gostei muito da consulta de diagnóstico e cheguei ao ponto de fazer um raio-x às duas pernas por suspeita de diferença patológica do comprimento do fémur, que afinal não se veio a confirmar.

 

Na verdade a origem do problema estaria na curva do meu pé e na minha passada, concretamente, na forma como o meu pé toca no solo, a zona de impacto e a tensão nos tendões.

 

Chegou-se então à conclusão que umas palmilhas ortopédicas, feitas à medida, seriam a solução para me livrar de vez daquela dor. Outra questão seria o meu calçado do dia-a-dia… ponto sensível! Disse-me então o senhor Podologista que, idealmente deveria também usar umas palmilhas de correção no meu dia-a-dia e… deixar de usar saltos altos! Muita calma nessa hora!!!!

 

Percebo a lógica da recomendação, mas de facto há uma linha que separa aquilo que eu estou disponível para fazer em prol do meu bem-estar na prática desportiva, e o que nem pensar! Da mesma forma que não pondero vir a correr os 21km em 1h30, porque implica sofrer, tão pouco ponho em hipótese abdicar dos saltos altos… Se a calçada da cidade de Évora, onde se inclui a rampa de São Miguel que subo todos os dias ainda não me demoveu, nada o fará. Saltos altos forever!

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É de facto o sonho dos podologistas (ou não) o fim dos saltos altos, mas sejamos honestos… qual é o plano B??? O senhor encolheu os ombros e sorriu-me, como quem diz, eu fiz a minha parte em avisá-la!

 

Paguei mais por aquelas palmilhas do que pelos ténis topo de gama da Nike com que andava a correr (comprados nos saldos, mas ainda assim…). Usei-as de forma religiosa durante mais de um ano. A primeira utilização foi dramática, mas tinha sido avisada que poderia ser. Ainda com a ideia de que correr implica que todo o equipamento seja XPTO, levei as boas das palmilhas e umas meias de corrida que têm estrias na planta do pé… ui! Ganhei umas bolhas! Mas foi apenas para perceber que a boa da meia simples, poliéster, poliamida e algodão, sem costuras, nem outras complicações são as melhores amigas dos meus pés.

 

A pouco e pouco, ao fim de um ano, fui deixando de as usar. Umas vezes usava, outras não, até que as coloquei definitivamente de parte e as dores no pé ficaram arrumadas com as palmilhas

 

Os saltos altos lá no armário... ainda ganham em número aos ténis de corrida!

 

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A primeira meia-maratona (au, ai, ui…) #6

Sei de fontes próximas que em formações de contexto empresarial em que se trabalha o desenvolvimento do potencial dos colaboradores ao nível da resiliência, superação de desafios em contextos adversos, apresentam muitas vezes o exemplo da maratona (42km195m), como o grande objetivo de vida dos atletas.

 

Pode ser verdade em algumas categorias do atletismo, mas não será uma verdade universal. A realidade é que aconteceu nos últimos anos (não saberei precisar quantos, mas não serão muito mais que 5 anos), uma explosão de corredores de rua - chamam-lhe a democratização da corrida. Uma série de pessoas de todas as idades, gordas e magras, rápidas e lentas, com percursos diferentes ao nível desportivo ou sem percurso nenhum, e com motivações e objetivos muito diferentes, entendeu integrar a corrida nas suas rotinas.

 

Aumentando o nicho dos corredores, aumentam também o número de provas e a sua diversidade, a literatura, a investigação, os artigos desportivos, os grupos informais de corrida e por aí adiante. A experiência da corrida de rua é totalmente diferente do atletismo. Diria eu que é mais perigosa, porque não é necessariamente orientada, mas por isso também talvez mais libertadora.

 

Ora não havendo acompanhamento para a maior parte destes corredores (porque não o procuram, embora o mercado tenha essa oferta), cada pessoa vai ouvindo o seu corpo, percebendo as suas limitações e estabelecendo os seus objetivos, motivado pelas suas conquistas e, num exercício de comparação, motivado pelas conquistas de outros que lhe estão próximos. Admito também, muitas vezes de forma completamente cega e em prejuízo do seu bem-estar, enquanto outros terão mais sorte. Neste contexto, a maior parte destes corredores não espera por estar na sua melhor forma, no auge da sua carreira, para fazer a maratona. É só mais uma etapa, que por vezes chega cedo (demais?).

 

No meu caso precisei apenas de 4 meses entre o dia em que fiz a primeira caminhada e a primeira meia maratona, mas custou caro.

 

O meu corpo andava a adaptar-se a esta nova vida, aos impactos, ao esforço regular. Desde que comecei a caminhar que uma sinfonia de dores se foi instalando no meu corpo, de forma alternada, por vezes em simultâneo, em particular no pé, na canela e na anca.

 

No dia da meia maratona, 7 de dezembro de 2014, recordo-me de ter dito ao meu marido “vou até à partida contigo, mas para te ver sair, não estou em condições de fazer a prova” (sem estar muito convencida daquela resolução, fui equipada, com chip e tudo…), mas a dor no pé estava mesmo a incomodar-me.

 

O ambiente deste tipo de provas é fantástico! A quantidade de gente para fazer a prova e a assistir, pessoas tão diferentes, com estados de espírito tão variados (da concentração sepulcral, à excitação quase circense), é contagiante.

 

Chegados à zona da partida, começámos a encontrar-nos com pessoas conhecidas, algumas das quais com quem já tínhamos começado a partilhar alguns treinos em Évora ou que encontráramos noutras provas, e em grupo é tudo tão diferente… Até hoje a sensação que tenho é que quando nos juntamos em grupo e começamos a tomar decisões dá-se o fenómeno da embriaguez coletiva (mesmo quando não há álcool envolvido). Alguém muito entusiasmado diz “devíamos ir a esta prova” e de repente há outro que mostra o número de dorsal “inscrito e pago” e quando damos por nós já somos alguns 15 a caminho de “não sei onde” para correr distâncias loucas, em percursos com subidas e descidas infernais, em alcatrão ou se for caso disso, enfiados em serras e matos. A este assunto do fenómeno corrida em grupo, voltarei num próximo relato.

 

Aqui o que importa é que a minha amiga Rita, com quem já tinha feito alguns treinos me encontra junto à partida, desmoralizada, a queixar-me do pé, a dizer que provavelmente se com o aquecimento não me sentir melhor não vou fazer a prova, remata com “Vais participar, claro! Fazes o percurso devagar, vais a gerir. Já que aqui estás, não vais ficar a assistir, sem tentar”. Foi o suficiente para me “embebedar”. Tiro da partida e lá vamos nós!

 

Comecei a prova até com um ritmo razoável e completei os primeiros 5km a faltarem-me uns segundos para os 30 minutos “que maravilha!”. Um dos planos que assumi à partida passava por, caso não me sentisse bem, fazer a viragem para a meta na intercessão com a prova dos 10 km, mas quando a avistei não me fez sentido, ainda estava bem, só que o falso bem-estar já durou pouco.

 

Aos 5 km comecei a baixar o ritmo, motivada pela dor no pé que, entretanto, se agravara. Comecei a fazer contas, sabia perfeitamente que o ritmo que tinha feito até ali não seria possível manter por mais 15 km. Aos 9 km já estava a dizer mal à minha vida, a perguntar-me porque raio não tinha feito a viragem para a meta e baixei o ritmo mais uma vez. Nesta altura ora tentava colar-me a outros corredores mais ou menos no meu ritmo e aproveitava as boleias, ora fazia por me motivar olhando para outros que estariam numa situação mais complicada e já caminhavam e pensava “ainda não estás a andar, abranda e continua”.

 

O marco dos 13 km foi dramático… é quando chegamos a Santa Apolónia e fazemos a viragem no sentido da meta, que nos espera em Belém, com 7 km a faltar para o final (ai!). Nisto reparo que já não me dói o pé! Porquê? Dizem que o nosso cérebro não processa duas dores em simultâneo, como é um querido, privilegia a mais forte (não estou segura que seja exatamente assim, mas ali batia certo), e, portanto, o que me doía agora era a canela (olha, esta já não a sentia há umas semanas!).

 

Lembro-me de ter aproveitado todos os abastecimentos da prova para beber e comer o que davam: água, isotónico, sempre com a preocupação de abrandar e não parar.

 

Mais que tudo lembro-me do calvário que foram os últimos 3 km. Já não era o pé, nem a canela, nem a anca, era a alma.

 

A verdade é que tive vontade de chorar e até de vomitar. Porque estava exausta, porque me doía muito o corpo e porque estava emocionada com a proximidade da meta, do objetivo, e com as pessoas que assistiam à prova e me liam os pensamentos “aqui já não se desiste!”, “é o fim”, “vamos, um último esforço a meta está já ali”. Os olhos encheram-se de água e só não me desfiz em lágrimas porque fiquei sem ar. O meu corpo já não conseguia processar tanta coisa. Ou chorava, ou vomitava, ou respirava, ou corria, mas parar de correr não era opção.

 

Respirei fundo, vezes repetidas, ruidosas, gritei, disse muitos palavrões (baixinho, só para mim) e, literalmente arrastei-me até à meta, a cambalear, desfigurada.

 

Assim que lá cheguei, 2h21m21s depois do tiro de partida, diz o rapaz que está a encaminhar os partipantes “Eishhhhh! Caiu???? Vem coxa…”. Acho que balbuciei um “não, está tudo bem”, passei a zona da entrega das medalhas para os finishers, apanhei o saco dos brindes e deitei-me na relva a chorar.

 

Já só pensava, “tenho que me ir tratar”. Comecei a perceber que já não podia ser só correr e alimentar-me de anti-inflamatórios. Era preciso procurar quem me desse umas dicas sobre a forma correta de me ver livre de vez daquelas “dorzites” todas.

 

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São dores senhor, são dores #5

Lembro-me perfeitamente das dores de articulações, tendões e tornozelos que se apossaram de mim quando comecei a tentar introduzir a corrida nas minhas caminhadas. Eram moinhas e eram chatas. A cada 3 dias era-me apresentada uma nova…

 

Cheguei mesmo a convencer-me de que nunca iria conseguir correr.

 

Tenho uma rótula bi-partida congénita, coisa muito exclusiva, portanto! Entre aquelas histórias que os pais e avós repetem até à exaustão sobre a nossa infância, as minhas histórias da “dor da perna” preencheram muitos serões. Ora porque há uma história sobre a indignação do meu irmão mais novo, e na altura com 3 anos, por eu ser mais crescida e ir ao colo, ora porque se perdeu a conta ao número de médicos e exames a que me levaram sem nunca terem chegado a um diagnóstico, ora porque era uma coisa que me atacava invariavelmente quando eu estava mais cansada e com sono e dava origem a birras monumentais.

 

O diagnóstico chegou aos 22 anos durante um curso de liderança na Academia Militar de Mafra onde, após vários dias de exercício físico intenso, um dia acordei e simplesmente não conseguia por o pé no chão porque tinha dores horríveis na perna. Lá se decidiram por me levar a um hospital nas proximidades, onde me fizeram um raio-x e me disseram: “quando bateu com o joelho no chão fez uma fratura na rótula”. A questão é que eu não tinha batido com o joelho no chão… e o diagnóstico passou a congénito (já nasci assim, partida!). Também fiquei a saber que tinha a bacia desalinhada e uma transrotação do fémur (que é como quem diz, joelhos para dentro e pernas arqueadas – nada de novo). Nada a fazer. Tomar anti-inflamatório e esperar que passe, mas ficar ciente que, a prática desportiva mais intensa faria sempre voltar aquelas dores (entretanto ainda não consegui descortinar qual foi o 13 de maio em que se deu o meu milagre da cura, mas a verdade é que nunca mais na vida tive dores daquelas).

 

Voltando às dores das caminhadas e das primeiras corridas. Tinha presente aquele diagnóstico fatídico e, portanto, ia avaliando cada dor que me surgia, sempre na expectativa de que estivesse ligada à “dor da perna”. As primeiras dores mais chatas e persistentes instalaram-se em outubro de 2014, na 4ª prova que fiz: os 13 km da Volta Solidária do Alqueva. Levei 1h22m a percorrer os cerca de 13 km que nos levaram da aldeia do Penedo Gordo à Barragem dos 5 Reis e voltar. O percurso foi feito essencialmente por terra batida, irregular naturalmente, com zonas de socalcos, muito diferente do alcatrão a que estava habituada até então. Talvez por isso, a meio da prova comecei a sentir uma dor no peito do pé. Esta dor acompanhou-me até ao fim do ano.

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(O entusiasmo antes das dores...)

 

Nos treinos seguintes surgiu a dor na canela, a dor na anca, a dor no joelho, sempre em pernas alternadas. Dor à direita, dor seguinte à esquerda, dor seguinte novamente à direita... Percebi mais tarde que estas dores em pernas alternadas não são um acaso, ou seja, para nos defendermos de uma dor, o corpo tende a compensar aumentando o esforço no lado contrário, portanto, é natural que com esse aumento do esforço uma nova dor se instale no lado oposto. Vamos deixando de sentir umas, passamos a queixa-nos de outras e começamos a convencer-nos que se calhar a corrida não é mesmo para nós, que vai começar a ser só sofrer…

 

Foi a festa do anti-inflamatório durante semanas a fio (comprimidos). Erradamente, agora tenho essa noção, antes dos treinos e das provas, lá tomava mais uns anti-inflamatórios para mascarar as dores.

 

Até que chegou o dia 7 de dezembro de 2014, data da Meia Maratona dos Descobrimentos, em que me tinha inscrito e convencido o meu marido a ir fazer mais uma prova. Um colega de trabalho já tinha feito esta prova que adjetivou de “muito gira”, “sempre plana”, “fácil”. Tudo o que eu precisava de ouvir para me decidir a estrear nos 21 km, ou mais precisamente nos 21 097,5 metros.

 

A verdade é que no próprio dia da prova não estava convencida que a deveria fazer. Entre as dores todas que iam e vinham, a dor no pé persistia. Lembro-me de ter dito ao meu marido, “vou até à partida contigo, mas para te ver sair, não estou em condições de fazer a prova” (sem estar muito convencida daquela resolução, fui equipada, com chip e tudo…).

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(A falta de entusiasmo depois das dores...)

 

 

 

 

 

 

 

A 1ª prova… e as seguintes #4

Todos os clichés sobre primeiras vezes são válidos para a primeira prova de corrida: é especial, é irrepetível, blá, blá, blá… nunca mais se esquece.

 

A minha primeira prova foi Viana do Alentejo, ou melhor, Grande Prémio de Atletismo Feira d’Aires – Memorial Luís Filipe Branco 2014.

Não sei muito bem como (ainda não me relacionava com ninguém da corrida) vim a saber que dia 28 de setembro haveria aquela prova ali próximo de casa, às tantas seria giro experimentar. Falei nisso ao meu marido e resolvemos ir!

No site da prova pode ler-se: “O Município de Viana do Alentejo, com a organização do Grande Prémio de Atletismo Feira d’Aires - Memorial Luís Filipe Branco, pretendeu recriar um evento desportivo muito popular nos anos 80 e 90 do século XX. Após 12 anos de interregno, pretende-se iniciar na Feira d’Aires – edição 2014 um novo ciclo da competição”.

Ora nem por acaso, inaugura um novo ciclo para a competição e para mim!

Assim para começar três notas: atletismo, calor, rampas.

Eu só estava habituada a cruzar-me com outros caminheiros/corredores no mesmo registo que eu, por isso fiquei maravilhada com o que encontrei na prova de Viana: os atletas (entenda-se os praticantes de atletismo, modalidade desportiva federada). Os equipamentos patrocinados, as camisolas de alças e a cueca de licra metem-nos logo no nosso lugar.

O foco daquela gente era claramente outro. Há toda uma aerodinâmica no aquecimento, na postura, no vestir e na ausência de acessórios do “running” que me levou a perguntar “no que é que eu me vim meter?”.

No meio destes pensamentos avistámos um grupo de pessoas “tipo nós” onde estava alguém conhecido do meu marido e estivemos a trocar impressões sobre o ambiente, as provas em que tinham participado e percebi que o registo deles também não era o do atletismo, pese embora alguns tivessem passado por essa escola. Havia outros intrusos como nós na prova, menos mal! Hoje olho para a fotografia de grupo deste dia e acho uma graça imensa ao constatar que entre os “desconhecidos” deste dia estão várias das pessoas com quem nos 2 anos seguintes partilhei de forma intensa boa parte deste percurso.

Até aqui tinha-me habituado a treinar em horários “confortáveis”. Comecei no verão, mas há sempre horas de menos calor, e eram as que eu elegia para o meu exercício. Ora a prova, que teria 6,5km, começaria, nada mais nada menos, que às 11h15 da manhã… Foi penoso!

 

Há pessoas que se adaptam muito bem a correr com calor, eu prefiro o frio. A sensação que tenho ainda hoje quando corro com muito calor é que o efeito da evaporação se faz sentir na minha energia. Não controlo tão bem a respiração e parece que vou em alta rotação, a consumir muito mais combustível que o desejável. Uma molha nestas ocasiões é providencial, assim haja água, é garantido que me vou lá meter debaixo, ou dentro: garrafas de água, torneiras, fontes, charcos, barragens, mangueiras dos carros de bombeiros... arrefecido o motor ganho energia para mais uns quilómetros.

Quando todo este cenário já não me animava em nada avisto as rampas de Viana. Caneco! Eu que até há bem pouco tempo caminhava e corria só quando me apanhava a descer, nem queria acreditar. E se por momentos pensei que devagarinho talvez fizesse aquela subida monumental sempre a correr (afinal de contas era a minha primeira prova de corrida e eu queria apenas acabá-la sem caminhar), olhar para cima e ver que todos os outros que eu avistava caminhavam foi o suficiente para me deixar convencer que não seria possível. E não foi. Nem em setembro de 2014, nem em setembro de 2015, que fiz questão de lá voltar no ano seguinte, mas ganhei as mesmas…

Fui quase todo o caminho a tentar ganhar fôlego para ultrapassar um senhor de cabelos brancos, pernas arqueadas e uma corcunda algo proeminente… e serviu-me também de lição. Nenhum corredor se julga pela aparência. Não é a idade, o peso, a altura, a passada ou a postura (e há passadas muito estranhas) que faz um corredor. É o treino que os define. E a maçarica ali era eu. O Sr. Silva, no auge dos seus 74 anos, chegou à meta 2 minutos antes de mim.

Resultados.

Fiz o percurso em 39 minutos e 05 segundos. Dos 75 atletas que cruzaram a meta nesse dia, apenas 3 o fizeram depois de mim. Sofri muito com o calor, e durante muito tempo as rampas de Viana acompanharam-me mentalmente em treinos e provas “se já fizeste as rampas de Viana, também fazes esta subida”.

Pior do que isso… o vício estava oficialmente instalado. Entre 28 de setembro e 26 de outubro de 2014 participei em 5 provas: o Grande Prémio de Atletismo Feria d’Aires (6,5 km), a Mini-Maratona da Ponte Vasco da Gama (6 km), a Mamamaratona de Portimão (10 km), a Volta Solidária do Alqueva (13 km), a Corrida Montepio (10 km).

Comecei a pensar numa meia-maratona (21km) e, reflexo da adaptação do corpo a esta nova vida, instalaram-se as primeiras dores.

 

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O meu kit de iniciação #3

Esta coisa das app de corrida é uma grande invenção. No fundo são uma companhia, no início, ainda por cima uma companhia querida, sempre a dar boas notícias!

 

No caso da app que eu uso, instalada no telemóvel, vai falando comigo ao longo do percurso, quilómetro a quilómetro, quanto tempo levo de exercício, e qual o pace (minutos por quilómetro) com que completo cada quilómetro. Ora uma pessoa entusiasma-se. Isto para quem está a começar pode fazer toda a diferença.

 

Correr, para mim, implicou sempre saber o que estava a fazer, aliás logo a partir das primeiras caminhadas. No fundo foi onde sempre residiu grande parte da minha motivação: competir comigo com a oportunidade de avaliar objetivamente os resultados e os progressos.

 

Claro está que a caminhada pode ter muitos ritmos, mas se o objetivo é ir subindo a parada para terminar com o gostinho da superação, ou tens de aumentar os quilómetros percorridos, ou acelerar o passo. A questão é que mais quilómetros implicam mais tempo de exercício e há alturas em que é preciso despachar.

 

Aliando o fator “tenho que me despachar”, ao fator “quero fazer melhor”, ao fator “olha! uma descida!” comecei a intercalar momentos de corrida nas minhas caminhadas.

 

Aproveitava sempre o declive do terreno para mudar o passo para a corrida, mal vislumbrava que se estava a acabar, voltava ao passo rápido da caminhada, com o pensamento que ainda hoje me acompanha “isto não é para me fazer sofrer, esticar só até onde me dá gozo, que eu não fiz mal a ninguém” (a ingenuidade tem destas coisas).

 

A música também foi grande companheira logo desde o início! Preparei uma playlist com “música para mover el esqueleto”. Ainda tentei com umas coisas mais suaves, mas a verdade é que as batidas por minuto do que estamos a ouvir têm alguma influência na forma como nos movimentamos e, portanto, nada disso foi para a dita playlist. Quando comecei a correr em grupo a música passou a ser outra e deixei de sentir falta de levar sempre a música, mas a verdade é que ainda hoje por vezes levo, com uma diferença: normalmente para animar o ambiente, em modo tunning. É que os fones na corrida em grupo não resultam…

 

Por isso não vale a pena eu tentar passar por uma corredora da velha guarda do atletismo, porque nem sequer dá para disfarçar. Por aqui o que eu assumidamente sempre pratiquei é corrida de rua (no alcatrão ou nos trilhos), em grupo, bem artilhada com acessórios de corrida, sem plano de treinos (até hoje) e, tanto quanto possível, bem arranjadinha, que uma mulher nunca deve descer do salto, mesmo que se vá enfiar nuns ténis de corrida.

 

Ora por falar em ténis, aqui está o acessório mais importante do kit: um bom par de ténis de corrida, naturalmente. E sobre o que é bom para cada um, nem sequer me vou atrever a opinar. E, até neste ponto, a minha história tem a sua piada: comecei a caminhar e a “corrinhar” de sandálias… de uma marca desportiva e muito confortáveis por sinal, mas de sandálias. E até foi bom fazer isto nas primeiras semanas para perceber melhor a diferença que faz um calçado adequado.

 

Na segunda semana (depois de já ter levado umas nicadas da gravilha nos dedos dos pés) lá resolvi ir… aos saldos! Aproveitei na verdade uma ida a uma factory store, onde há aqueles modelos que já passaram de moda ou coisa que se lhe valha e comprei os meus primeiros ténis de corrida a bom preço. Custei a engolir-lhes a cor (roxos com cordões laranja, que depressa entranhei) mas foi com eles que aprendi muito do que é importante para os meus pés: o tamanho (1 numero e meio acima do outro calçado), a largura da biqueira para os dedos não irem em modo “passageiro de metro no japão em hora de ponta” e o peso (é verdade uns gramas de diferença sentem-se).

 

Depois de algum tempo neste registo a intercalar caminhada com corrida, a corrida instala-se naturalmente. Devagarinho, os passos rápidos da caminhada dão lugar aos passos tranquilos da corrida, naquela velocidade em que já dá para sentir a deslocação do ar, mas sou capaz de apreciar a paisagem, e dou por mim com outro pensamento recorrente “abranda, desacelera, controla a respiração, faz qualquer coisa… mas continua a correr. Tudo, menos andar”.

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