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Um passo nunca vem só

Um passo nunca vem só

Da porta da minha casa há caminhos para o mundo inteiro #27

 

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Umas das minhas coisas favoritas na corrida é a oportunidade que nos dá de "invadir" caminhos, ruas, que por nenhum outro motivo seria provável que conhecêssemos.


Costumo dizer frequentemente que conheço uma Évora AC e DC, como não vivi antes de Cristo, a expressão remete para Antes da Corrida e Depois da Corrida. E quem diz Évora diz uma série de outras localidades que posso até ter calcorreado anos a fio e que se revelaram numa perspetiva completamente diferente depois de as ter percorrido em modo corrida.

 

Hoje saí de casa para um treino que pretendia que fosse de cerca de 12km. Como ando a passar uma fase preguiçosa sei que só cumpro o objetivo se fugir para longe da porta, porque se o plano for andar por aqui às voltas vou encontrar rapidamente 2 ou 3 desculpas fortíssimas para encurtar o treino.

 

Como vivo na Azaruja (concelho de Évora), resolvi que a volta hoje era ir até Vale do Pereiro (concelho de Arraiolos) e voltar. Já fiz várias vezes esta volta, ir e voltar são certamente 12 km e dei por mim a pensar: só conheço Vale do Pereiro porque corro.

 

E porque corro descobri que tem um apeadeiro da CP (desativado), o que de certa forma é revelador da importância que a localidade já terá tido. Mas mais curioso ainda, porque corro, descobri que tem um parque infantil bem melhor equipado que o da Azaruja, onde acabei por já levar os miúdos a passar uns finais de tarde bem animados. E porque quem vai ao parque depois quer beber água, acabei por descobrir que o café lá ao lado faz uns caracóis e umas torradinhas à maneira, a preços para lá de convidativos!



E enquanto vou e volto, vejo sobreiros, porcos pretos, campos verdes e, pelo canto do olho, o imponente Castelo de Évoramonte (concelho de Estremoz) a fazer-me sinais como quem diz "a próxima voltinha em cima desses ténis é até aqui...".

 

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Chego a casa, com quase 14km, mais 2km que o previsto porque não resisti a entrar Vale do Pereiro a dentro e ir até à porta da igreja e só então dar meia volta e iniciar o regresso. Chego e começo a pensar que vivo numa freguesia rural, mas que me sinto no centro do mundo (ou numa metáfora desportiva, sinto-me num parque de transições) e que daqui, da porta da minha casa  e em cima dos meus ténis, há caminhos para um mundo inteiro (inteiramente novo para mim, garantidamente!).

É que gosto mesmo disto...

 

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