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Um passo nunca vem só

Um passo nunca vem só

Dia Especial, num Ano Bestial #35

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E puf… 1 ano passou a correr desde que me meti a escrever para este bogue!

 

Foi um ano e pêras (ou beterrabas?).

 

Bati o meu recorde dos 10 km na prova Monumental em Évora, voltei à prova de Viana do Alentejo, dediquei-me afincadamente às longas distâncias, fiz o trail de Monchique, o trail de Barrancos e os ultra-trails de São Mamede, Mérola e Monsaraz. Participei na organização da 2ª São Silvestre de Évora, das 12 Horas a Correr e do Trail Sem Pavor.

 

Em abril foi-me diagnosticada novamente uma anemia ferropénica grave (já tinha tido em 2015), usei e abusei de todas as mezinhas caseiras e alimentares para me recompor, fui medicada, fiz endoscopia e colonoscopia para procurar causas e nada se encontrou.

 

Tive que abdicar de muita coisa, do ritmo, dos treinos, da companhia da minha tribo, do estilo de vida que tinha por adquirido e da minha forma física. Tive que aguentar muita coisa, o cansaço, a irritabilidade, a frustração de não conseguir nem treinar, nem descansar. Em meados de julho consegui que os valores voltassem a estar dentro dos intervalos.

 

Em maio fiz Évora – Fátima a correr em 4 dias, num exercício que prefiro ainda não adjetivar, mas do qual sinto que só estou a recuperar fisicamente agora, ao fim de 2 meses de muita contenção de treinos.

 

Comecei também a pedalar, a bem do reforço muscular, ainda não muito convencida de que o vá fazer muito regularmente.

 

Deixei o meu trabalho, a instituição à qual estive ligada os últimos 13 anos. Negociei a minha saída de um projeto na área social onde dei sempre o meu melhor e que me realizou porque fui uma voz ativa no seu crescimento e na sua afirmação enquanto referência de âmbito nacional, mas que deixou de me estimular. Aos 37 anos voltei a estudar, com o objetivo firme de mudar para uma área de trabalho completamente diferente: o marketing digital.

 

Foi, em rigor, um ano de emoções fortes, andei umas vezes na crista da onda, outras vezes caí de fronha na areia (auch!), mas estou de pé, pronta para os passos que se seguem. E estou grata, muito grata por tudo e todos os que ao longo deste ano, de forma mais física ou mais simbólica, por gestos e palavras se mantiveram por perto ou chegaram de novo.

 

Ontem fiz os primeiros 5km de treino de corrida contínua desde maio, lembrei-me tanto daquela miúda, mulher, mãe, sedentária que há 3 anos (27.07.2014) saiu de casa para ir fazer a sua primeira caminhada, do entusiasmo com que voltou para casa e a vontade de sair no dia seguinte para caminhar novamente. Deu-me vontade de abraçá-la e sussurrar-lhe ao ouvido “parabéns, muitos parabéns, não tens ainda noção mas eu digo-te foi aqui agora, neste gesto, neste passinho insignificante que iniciaste um dos maiores projetos da tua vida, a tua pequena revolução, que ativaste o teu super-poder: fazer as tuas escolhas.”

 

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Primeiras a acreditar (em mim!) #34

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Sempre fui boa numa coisa: acreditar.

 

Faz hoje 1 ano fotografei o nascer do sol com a convicção de que seria uma memória bonita do dia em que nos sagrariamos campeões europeus de futebol.

 

A vitória não dependia de mim. Dependia de mim a atitude de acreditar que era possível e ficar com o registo do nascer do sol. Fiquei. Está aqui.

 

Nos últimos dias tenho dado por mim mais observadora que o habitual. A reparar nas pessoas com quem me cruzo, nalgumas expressões, semblantes carregados, sorrisos amarelos para chegar a questões filosóficas do género "quando é que terá deixado de acreditar?".

 

É que faz parte da natureza humana. E faz falta para nos mantermos verdadeiramente humanos: acreditar em nós.

 

Quem já não acredita que é capaz, que é possível concretizar, deixou de viver. Deixou-se engolir pelo conformismo e sobrevive esmagado pelo inevitável.

 

É que é preciso coragem para acreditar em nós. Acreditar dá trabalho. É diferente de viver iludido. Acreditar implica investir nesta verdade ainda antes mesmo de ela existir como tal, dar oportunidade, criar condições para que aquilo em que acreditamos se torne realidade.

 

Ainda que não se acredite em tudo, caramba, devia ser proibido deixarmos de acreditar no que é o melhor para nós, na nossa melhor versão - aquela que nos faz felizes e àqueles que verdadeiramente nos amam. Aquela equipa acreditou na vitória, o Ederzito António acreditou no golo. Fomos todos felizes.

 

Sempre fui boa nisto. Acreditar.

 

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