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Um passo nunca vem só

Um passo nunca vem só

Quando for grande quero... saber correr #37

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Tantas foram as vezes que disse e outras que pensei: por 3 ou 4 km não vale a pena suar a camisola, treino de corrida que vale a pena dura uma hora (e outras coisas do género).

 

Longe vão os tempos em que correr 5 ou 6 km me sabia a pouco. Hoje tenho a sensação que tenho feito muita coisa ao contrário.

 

O meu percurso na corrida, mal comparado, ou não, faz-me lembrar a minha infância, aquela vontade desenfreada de crescer, usar os saltos altos da mãe, os colares e os chapéus da avó, de ser crescida depressa. Correr nos últimos 3 anos tem sido isto, uma vontade arrebatadora de fazer grandes distâncias, acumular muitos quilómetros, muitos treinos grandes, muitas provas, muitos desafios.

 

Na verdade foi tudo rápido, muito rápido, porque é possível, porque neste caso bastava mesmo querer e trabalhar (a cabeça e o corpo tanto quanto possível) para isso. Agora a sensação que fica é que não aproveitei cada etapa deste crescimento como deveria.

 

A grande diferença é que quando passas pela infância sem brincar na casinha das bonecas, sem ires ao escorrega, a infância passa e o rabo deixa de caber no escorrega e a altura já não te permite entrar na casinha das bonecas. Na corrida é te permitido (às vezes é mesmo obrigatório) voltar atrás, aprender a desfrutar dos 3 km, das corridas de 30 minutos, mesmo que já tenhas feito provas com 8 horas de duração. É estranho, mas é possível.

 

Não perdi o bichinho das longas distâncias, imagino-me ainda a fazer coisas grandes (e são as que mais me empolgam). Agora sinto-me como diz a música da Mafalda Veiga:

 

"É preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver"

 

Quero correr, quero treinos, quero provas, quero continuar a superar-me, quero tudo a que tenho direito, incluindo os curtos também (nunca fiz um trail com menos de 15km e tenho pena!). Porque é verdade que ando a correr, mas não vou a fugir de nada, nem tenho pressa de chegar a lado nenhum.

 

O objetivo a mais curto prazo é voltar a ser capaz de correr os 10km com vontade, com prazer. Se for para ser com sacrifício, para castigar o corpo, faço já amanhã, mas não é o que quero.

 

Passito a passito, vale a pena pensar nisto!

Ó Zeca… a música aqui é outra! #36

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Há músicas brasileiras que me lembro de ouvir desde sempre, ficam no ouvido e quando tocam fazem o pé pular. Aquele ritmo, aquele jeitinho brasileiro, não tem como não entrar pelos 5 sentidos, lembram praia, calor, chinelo no pé, chôpiiii, é “bão djimais”!

 

No outro dia dei por mim a trautear a música do Zeca Pagodinho “Deixa Vida Me Levar”, para quem quiser ouvir fica o link do youtube:

 

 

 

E ao contrário do que nos acontece muitas vezes quando começamos a analisar as letras das músicas e damos por nós a pensar “esta foi mesmo escrita para mim”, aconteceu-me exatamente o oposto “se tenho deixado a vida me levar tava bem lixada”.

 

Como diz a música “Sou feliz e agradeço por tudo o que Deus me deu” mas… também acredito que entre muitas outras coisas recebi a graça de quando “não tenho tudo o que preciso” arregaçar as mangas e correr atrás, em vez de: “com o que tenho vivo de mansinho e lá vou eu”!

 

Esta máxima do “Deixa Vida Me Levar” faz lembrar aquela passagem da Alice no País das Maravilhas:
Gato: "Para onde queres ir?"
Alice: "Eu não sei, estou perdida."
Gato: "Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve."

 

Mas Zeca, hoje e só por hoje eu sei para onde quero ir, o estilo de vida que escolhi e o que já não tem lugar na minha vida, se vou deixar a vida me levar acomodo-me, “é a vidinha!”, e a vidinha é lixada, quero não Zéeeeeca.

 

Então como é afinal? Somos capazes de melhor, verdade?

 

A malta trabalha em desenvolvimento pessoal é muito adepta dos áudio-guias. Em vez de serem “poluídos” com as mensagens ocas da maior parte das músicas comerciais, que dizem eles, entram no nosso subconsciente e moldam-nos o pensamento, ouvem em modo repeat conferências e lições dos gurus das suas áreas de trabalho. Pronto, confesso que ainda não me estreei nesse procedimento, mas para primeiro passo, na minha ótica de não-especialista-de-coisa-nenhuma acredito que uma playlist mais criteriosa já pode ajudar (sim, sabemos que o tipo de música que ouvimos influência o nosso estado de espírito, não é preciso ser especialista).

 

Afinal o que a gente precisa em primeiro lugar é saber o que quer e acreditar que consegue lá chegar, a única coisa que não vale mesmo é deixar a vida nos levar, Zeca!

 

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