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Um passo nunca vem só

Um passo nunca vem só

O primeiro dia do teu ano novo, é o dia que tu escolheres #24

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A proximidade da passagem de ano tem este efeito generalizado de nos encher de vontade de fazer promessas de mudança.

 

Pessoalmente não me lembro de ter começado nada significativo para mim no dia 1 de janeiro de que ano fosse.

 

Lembro-me sim de um março em que decidi começar a comer de forma diferente, de um junho em que decidi começar a fazer caminhadas, de um setembro em que comecei a correr, de um agosto em que me inscrevi numa maratona.

 

Aconteceu-me ter vários anos novos dentro do mesmo ano.

 

Dia 1 de janeiro é um bom dia para dormir até mais tarde, para continuar a comer e a beber o que sobrou do jantar de 31 de dezembro, para se prolongar o convívio da noite anterior, para curar uma ressaca, para se dar um passeio. Para começar qualquer coisa verdadeiramente transformadora para nós é tão bom o dia 1 de janeiro, como o dia 3 de março, 27 de julho, 14 de outubro ou qualquer outro.

 

O ano novo das resoluções, das coragens, das valentias, das firmezas está dentro de nós, não está marcado no calendário, não acontece por decreto.

 

Quando derem as 12 badaladas pulem da cadeira, comam as passas, peçam os desejos, façam as promessas, o que preferirem. O verdadeiro ano novo só vai chegar quando cada um de nós quiser verdadeiramente que ele aconteça e ás vezes até, quando menos se espera.

 

O meu último ano novo começou dia 27 de julho de 2014 e nunca mais acabou.

Sobre o significado de desistir #23

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Este ano, desde que corro, senti pela primeira vez a tentação de desistir numa prova.

 

Foi durante o Louzã Trail, na prova +25km. Convenci-me que seria prova para completar em 04h30 (ingénua e inexperiente nas lides do trail).

 

Fui acumulando uma série de erros ao longo da prova, entre os quais recordo com carinho…:

 

- Levar os ténis errados que me valeram uma valente dor nos pés (a roçar o insuportável, juraria a quem me perguntasse que não teria uma única unha nos dedos quando me descalçasse e afinal só caiu uma umas semanas depois)

 

- Fiar-me nos abastecimentos de 5 em 5 quilómetros, alheia ao facto que uns serem apenas líquidos e inconsciente quanto ao tempo que pode significar chegar e um abastecimento sólido ao outro, não levei alimentação suficiente

 

- Despir a camisola de tanto calor optar por correr apenas de top, o que me valeu uma assadura em condições na zona lombar, provocada pela mochila

 

- Carregar durante 27 penosos km dois bastões com os quais só tinha treinado 2 vezes

 

Quando já levava 3h30 de prova, perto do km 17 assumi que iria desistir: a juntar às dores nos dedos dos pés e à assadura nas costas, também já tinha caído e, a cereja no topo do bolo, comecei a sentir uma dor tremenda num ligamento do tornozelo. Estava montado todo um cenário do calvário dos tempos modernos.

 

As dores eram de facto muitas. Despedi-me da Carla que já vinha a carregar comigo havia uns bons quilómetros e assumi: eu de-sis-to! Ela deu tudo por tudo para me fazer mudar de ideias, mas não me demoveu, ela avançou e eu voltei para trás.

 

O Gabriel passou por mim em sentido contrário e perguntou apreensivo “lesionaste-te?” e eu respondi de olhos no chão “não, mas não aguento mais” (nem vi que era ele!).

 

A decisão doeu tanto que foi aí que chorei, doeu de tal maneira que por minutos deixei de sentir as dores do corpo. O suficiente para desistir de desistir.

 

Respirei fundo, limpei as lágrimas e falei comigo mesma “Não dói assim tanto pois não? Devagar. Só até ao próximo abastecimento”.

 

Voltei a encontrar o Gabriel e Quim Zé um pouco mais tarde e recomeçou o trabalho de equipa que me tinha trazido até ali com a Carla, cada um a puxar à vez, cada um a esperar à vez. E assim passaram outras 3h30, até que chegámos à meta.

 

7 horas, foi o que precisei para completar aquela prova. Mas as 7 horas foram o menos relevante.

 

Precisei acreditar que era possível terminar.

 

Precisei redefinir prioridades, era mais importante terminar do que cumprir um objetivo de tempo (completamente irrealista).

 

Precisei pedir comida a outro corredor.

 

Precisei relativizar a dor.

 

Precisei avaliar que nenhuma das dores que sentia comprometiam a minha saúde.

 

Precisei querer não desistir.

 

De lá para cá tenho pensado muito no significado de desistir.

 

Acho que encontrei uma definição muito própria, muito minha. O meu entendimento diz-me que há uma grande diferença entre desistir e vermo-nos impossibilitados de prosseguir.

 

Só peço que a sorte me proteja e eu nunca me veja impossibilitada de prosseguir, porque se depender de mim, não foi em 2016 que desisti, não há de ser tão cedo que desisto: que renuncio a atingir cada um dos meus objetivos, que abro mão de chegar de pé, e por meios próprios, onde me propus, ainda que isso implique, por momentos, sofrer, suar ou chorar.

 

Desistir é não querer continuar (esta vem no dicionário).

Tenho o resto da minha vida para fazer “o normal” #22

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Acordar às 5h00 e às 6h00 da manhã, sem ter que ser.

Molhar-me até aos ossos.

Sujar-me de lama, até dentro dos ouvidos.

Subir e descer rampas, escadarias, rochas, escarpas, encostas, colinas.

Pular arame farpado, porteiras, muros, troncos, manilhas.

Bater o queixo de frio.

Transpirar.

Ficar com a boca seca, os lábios com gosto a sal e cheia de sede.

Fintar ou pisar bosta de vaca, de cabra, de ovelha, de cão.

Pular por cima de buracos ou para dentro de poças de água.

Ganhar bronze de pedreiro, de verão e de inverno.

Fazer uma coleção de assaduras nas costas, nos pés, nas axilas.

Perder a conta às cicatrizes nos joelhos, nas palmas das mãos, nos cotovelos e aos arranhões nas pernas.

Ficar feliz por avistar uma mesa com tomate, sal grosso e marmelada.

Saber de cor o que significa D+, PR, lesão, milha.

Saber para que quero proteínas, fibras, magnésio, hidratos, eletrólitos.

Precisar de anti-inflamatório.

Não confundir dorsal com frontal.

Passar ribeiras calçada, vestida, com água pelos joelhos ou pela cintura.

Sentir dor na anca, no joelho, nas costas, nas canelas.

Dizer palavrões, muitos, todos, aprender novos, inventá-los.

Acreditar.

Nem acreditar e fazer acontecer.

Perder o fôlego, gritar, recuperar o fôlego.

Repetir mil vezes “nunca mais me apanham aqui” e voltar mil vezes.

Sentir-me anormal, mas não me sentir sozinha.

Sentir-me sã entre os loucos que acompanho.

Ficar, estar, ser feliz.

 

Tenho o resto da minha vida para fazer “o normal”, agora faço isto.

Tão isto... (tive que rabiscar o jornal)

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Chamam-lhe espírito de sacrifício, mas sai-nos do corpo! #21

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Hoje foi dia de Corrida Monumental em Évora. A segunda edição de um evento grandioso, como a cidade merece. Tal como tudo o que é pioneiro, é controverso e há sempre quem não perceba, quem ache que estorva mais do que beneficia. Mas “esses” não merecem tempo de antena.

 

Sobre aquilo que interessa, eu diria que a organização está de parabéns. Poucos (ou nenhum outro evento) traz tanta vida, cor, alegria e movimento a Évora como a Running Wonders EDP Meia Maratona Corrida Monumental.

 

Para quem corre em Évora, é um dia de sonho! Recebemos muita gente de fora. Amigos e desconhecidos, vêm partilhar o “nosso” asfalto, aquilo que nos diverte, o chão onde nos superamos. E as pessoas saem à rua para aplaudir os corredores (o Bairro de Almeirim é um espetáculo!). E é uma alegria. É isto que sinto.

 

Hoje foi um dia particularmente feliz para mim, a mulher sem plano de treinos, sem treinos específicos, sem treinador, sem grandes expectativas (low expectations are the best).

 

Eu quero sempre fazer melhor, mas na realidade não procuro isso, no sentido em que não planeio treinos: vou treinando.

 

Eu queria fazer o percurso em menos de 1 hora, fiz em 55 minutos. Eu gostava de bater o meu recorde pessoal aos 10km, que estava nos 53 minutos, fiz em 50 minutos e 6 segundos. Saiu-me do corpo, do espírito e da boca.

 

Fiz uma parte do percurso sozinha, a maior parte com o Zé Luís e na última subida juntou-se a nós o João Tomáz (santos homens!). Já lhes dirigi um pedido de desculpa e a todas as boas famílias que estavam naquela hora na Rua da República e dei graças a Deus por nenhuma das máquinas fotográficas ter microfone, porque foi feio. Para mim foi libertador, mas para quem me ouviu foi feio de certeza.

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O percurso dos 10km é bonito nos primeiros 2 km, a seguir é o que tem de ser. E é duro. Não são subidas de trail, não são os cabeços da serra, mas são aquelas subidinhas sacaninhas, que não se avistam mas que as pernas acusam.


Comecei rápido. A adrenalina era muita, mas sentia-me bem. A respiração sempre um pouco ofegante, mas capaz de rolar bem, e assim fiz. O final foi épico. Parecia que tinha tomado uma droga que fez o meu espírito guiar o meu corpo. De olhos fechados, quando abertos embaciados, não via nada nem ninguém, só ouvia o João mandar-me correr mais, a minha cabeça queria responder à voz de comando mas o corpo estava esgotado. E eu gritava e dizia palavrões e corria, completamente desfigurada, com cara de prisão de ventre, mas eram as pernas que estavam presas. Presas ao limite das minhas capacidades. Estava na red line.

 

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Eu acho que tudo o que consegui hoje o devo essencialmente a dois fatores: relativização e sacrifício:

- Relativização porque quem faz treinos longos e provas de trail que demoram 5, 6 ou 7 horas a concluir, quando vai fazer uma prova de 10km, tem a capacidade de relativizar “já só faltam 7km, ou 5km ou 3km”. A meta é já ali. O tempo voa.

- Sacrifício porque quem se quer superar, quem acredita que consegue, dispõe-se ao sacrifício, ou se quiserem, a sofrer. Chamam-lhe espírito de sacrifício, porque a cabeça tem que querer, tem que acreditar. Mas sai-nos do espírito, para se fazer sentir nas pernas e nos pulmões. E quem acredita aceita e quem aceita supera-se.

 

E isto é válido para a corrida e para tudo na vida.

 

Fui a 5ª mulher a cruzar a meta. Fui a 1ª mulher no meu escalão de idade. E fui a 93ª pessoa das 699 que participaram na prova dos 10km.


Sofri.
Sofri tudo o que consegui.
Consegui tudo o que queria.
Consegui.

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Hoje é dia de jogar em casa #20

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Este ano escolhi fazer os 10km da Corrida Monumental de Évora, a 27 de novembro.

 

O ano passado fiz os 21km e bati o meu recorde pessoal na distância em prova (1h56m06s), até hoje não voltei a fazer melhor.

 

Ainda que apenas 8 dias após Barrancos não podia pensar em faltar à grande prova da cidade. A melhor opção pareceu-me ser a distância mais curta. O corpo não está recuperado (embora me sinta melhor do que esperava).

 

O que gostava de fazer? Menos de 1 hora.

 

O que me faria delirar? Bater o meu recorde pessoal oficial na distância (53m?).

 

O que vou fazer? O do costume, aquele que “está para chegar” sempre que estou em prova: o melhor de mim.


Até já.

Sou barraquenha de coração, para sempre! #19

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2016 foi o meu ano de estreia nas provas de trail e fiz muita coisa diferente: Estremoz, Monsaraz, Gerês, Açores, Lousã, Monchique, Valverde e Barrancos.

 

Decidi fazer Barrancos para fechar o ano de trail com uma distância longa (42 km). Se corresse bem, seria a cereja em cima deste bolo de experiências, se não corresse bem, haveria de ser uma boa escola para futuros desafios.

 

Confesso que ia com receio, muito receio. Talvez por isso tentei fazer tudo certinho. Na mochila seguiu uma bisnaga de vaselina, umas meias, copo, barras e géis, um anti-inflamatório e o telemóvel.

 

A amplitude do meu objetivo de prova é reveladora do receio que levei comigo até Barrancos: tentar fazer os 42km em menos de 9 horas de prova e, se possível, 7 horas (não ia muito convencida).

 

Já tinha feito alguns treinos por ali e sabia que não ia fazer nenhum cross. Haveriam subidas duras, muito duras, trilhos estreitos com pedras e raízes, lages escorregadias: um autêntico parque de diversões.

 

Tive a sorte de fazer esta prova como mais gosto de correr, acompanhada! Dois grandes amigos e companheiros de corrida, o Zé Luís e o António. Pessoas de riso fácil, genuínas e que correm mais do que eu e não me deixam pastelar.

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Os primeiros 16km correram sem percalços. Um percurso bastante desafiante e que confirmou a minha maior fragilidade: os single tracks sinuosos não me deixam correr. Tenho medo. Já caí muitas vezes, não tenho um grande equilíbrio e não me consigo abstrair, reduzo muito a velocidade.

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Chegada ao 2º abastecimento, cometi um erro tremendo: distraída com a conversa e sem pensar muito no assunto, enchi o depósito da mochila até ao limite (1,5L), mesmo antes da subida ao castelo. Moral da história: rebentei com as costas.

 

 

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Foi um calvário que fui tentando minimizar com um spray para as dores que o António levava e que meti 2 vezes… sem grande resultado.

 

Depois do 3º abastecimento no Monte da Coitadinha para evitar o erro número dois resolvi fazer uma paragem estratégica para trocar as meias, que vinham com pedrinhas e lama e meti mais vaselina nos pés, foi providencial.

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Já só mais tarde me lembrei do bendito anti-infalmatório que levava na mochila e claro… magia! Pouco tempo depois fiquei como nova.

 

Foi também já nesta segunda metade da prova que resolvi tomar os géis que levava e mais uma vez senti que tinha sido uma decisão acertada. Os abastecimentos tinham coisas que adoro comer nas provas: marmelada, tomate com sal grosso, batatas fritas, frutos secos e fruta variada. Mas a verdade é que isto não me chega para tantas horas de esforço. As barras que levei e fui trincando entre abastecimentos foram importantes para nunca me deixar atingir um estado de fadiga que não me permitisse correr. A parte da alimentação correu-me muito bem. Também evitei as cervejas e a palomita no Castelo de Noudar. Depois de correr ninguém me negue uma hidratação com tudo a que tenho direito, mas a meio das corridas… passo!

 

Já levava 5 horas de prova resolvi entrar em modo tunning e a verdade é que a música certa faz muito pelo nosso estado de espírito. Mais uma decisão acertada.

 

E assim seguimos correndo, subindo, caminhando, trepando, até à Ponderosa onde nos esperava uma bela sopinha… também dispensei, pensei que ainda nos faltavam demasiados quilómetros para levar o estômago tão aconchegadinho. E Deus!!!! Quantas subidas ainda nos faltavam…

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É uma prova desafiante, sem dúvida, mas a beleza das paisagens: os rios, o castelo, as choças, os trilhos de pedra, o moinho e a graça com que os trilhos foram legendados pela organização, ajudam-nos a relativizar o empeno que dali se leva.

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Existirão poucas provas assim no Alentejo. A receita parece simples mas não haverá muitos a cozinhá-la tão bem: a qualidade do percurso (desafiante e em simultâneo equilibrado), a beleza paisagística (linda, linda, linda), a competência e a hospitalidade da organização (do staff aos voluntários todos eles irrepreensíveis).

 

Terminei a prova abaixo do meu objetivo, com 6h29, com um 6º lugar na geral femenina, imensamente feliz, a sentir-me tão bem que ainda disse em voz alta “a esta prova só lhe falta uma coisa: mais 10 km!”.


Barrancos não se explica. Ou se vive, se sente, se cheira, se saboreia, ou não se percebe.

 

Sou barranquenha de coração, para sempre!

 

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Eu posso tudo o que quero. #18

Muitas vezes estamos insatisfeitos, acho que é natural e saudável a insatisfação, faz parte da natureza do ser humano. Se estamos insatisfeitos é sinal que estamos vivos, que sentimos.

 

Durante uma boa temporada sentia-me insatisfeita com o meu peso, com o meu corpo. Estava insatisfeita e cheia de certezas que me faziam resignar. Acreditava que a maternidade mudava o nosso corpo de forma irreversível. O estar mais pesada, o ter perdido as formas com que sempre me conheci, eram para mim um dado adquirido como uma inevitabilidade.

 

Acreditei durante muito tempo que o facto de ser uma cabeça gorda, o facto de gostar de comer muito e tudo, nunca me permitiria voltar a vestir uns números abaixo. Acreditei durante muito tempo que a rotina casa – filhos – trabalho nunca me deixaria espaço, tempo e vontade para me dedicar a nada que me desse mais prazer.

 

Depois veio o clique, o querer. A vontade de perder peso, pelo menos de tentar. E seu quis isso, só eu sei o quanto quis. E de tanto querer consegui perder os primeiros quilos. A seguir instalou-se outra vontade, a de perder alguma flacidez. Foi quando comecei a fazer caminhadas (não foi noutra encarnação, foi em julho de 2014). E de tanto caminhar chegou a vontade de acelerar o passo, ao ponto de começar a correr.

 

Quando começas a perceber os resultados, o querer aumenta. Chama-se motivação, é uma coisa que vem de dentro de nós, não se compra, não se inventa, não se encomenda, instala-se.

 

Corres os primeiros 5km, e motivas-te a corre-los mais depressa, a correr os primeiros 10km, os primeiros 12 km, os primeiros 21 km, os primeiros 36 km, os primeiros 42 km (e não foi noutra encarnação, foi em outubro de 2015). Só porque sim, porque podes e porque queres.

 

E chegas à conclusão que só não consegues o que não queres, só não atinges aquilo a que não te propões.

 

Hoje faltam 4 dias para os 42km de Barrancos. Hoje pensei nisto e só queria deixar escrito que os quero fazer, mas quero mesmo muito e a não ser que me magoe à séria, nada mesmo nadinha se mete entre mim e aquela meta. Venha chuva, venha lama, venha vento, venham subidas e descidas, escarpas, rochas, paus e pedras, venham quedas, dores de pernas, de costas ou de alma, venham minutos e horas, muitas horas, as que forem preciso, nada mesmo nadinha me impede de cruzar aquela meta com a certeza de que só uma coisa me levou até ali: eu-posso-tudo-o-que-eu-quero.

 

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Está tanto frio... GRAÇAS A DEUS! #17

O estado do tempo é sempre um bom quebra-gelo para qualquer conversa, vai daí que para começar um post também resulta: já viram o frio que por aí vem?!

Não meus amigos e minhas amigas, não é o calor do verão que nos impede de treinar (aquele que nos faz evaporar a energia, como me senti na primeira prova em Viana do Alentejo), não é a chuva abençoada (que faz aquelas poças todas no chão onde podemos libertar a criança que há em nós) e, surpresa das surpresas, também não é o frio.

Até porque frio, frio, frio sentem os senhores lá na Sibéria e nesses sítios assim. Aquilo a que o português tem direito é uma baixa de temperatura, vá lá com sorte, uma massa de ar frio que vem não sei de onde, mas frio à séria, daquele que paralisa, que queima as extremidades... deixem-se de tretas, não temos disso!

Já ouviram falar em Crioterapia? Diz que é assim um tratamento à base do frio e que se aplica em dezenas de situações: desde tratamentos estéticos e terapêuticos da pele (tonicidade, gordura localizada, celulite, manchas), até à recuperação desportiva e prevenção de lesões (neste caso os atletas submergem o corpo em água com gelo, conhecido por ser um poderoso anti-inflamatório).

Há pessoas que pagam fortunas por estes tratamentos. Ora o corredor destemido, tem estes tratamentos todos de borla, pumba! Basta apresentar-se a correr como se, em vez de ir encarar o frio da Sibéria, estivesse a correr, sei lá... em Portugal.

Dito isto é difícil esconder que esta, a altura do frio, é a minha altura preferida do ano para correr. E corro de calções e manga curta, como no resto do ano. Não uso luvas (às vezes os dedos custam a aquecer, mas aquecem!), não uso gorro, não uso casacos. Vá, em circunstâncias extremas e no limite uso ou uma manga comprida (que dá sempre para arregaçar), ou um daqueles corta-vento muito leves que a determinada altura terei que atar à cintura e só porque será preciso esperar algum tempo na rua antes de começar a correr.

É claro que no início também me vestia a rigor para encarar o frio. Recordo com carinho o meu treino no emblemático Central Park, em Nova Yorque, em Novembro de 2014, aí sim já com uns graus negativos consideráveis.

Fui passear aos States e claro que correr no Central Park é daqueles "must do" do turista amante da corrida. Saí uma manhã e claro, fui de gorro, luvas, cachecol, casaco polar, calças e perneiras de lã: ia morrendo assada!

 

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Quando já ia a dizer mal à minha vida com o calor, e a pensar onde é que ia carregar tanto acessório se me começasse a despir, passa por mim, um batedor de carro, e os primeiros atletas de uma corrida  que estava a começar ali mesmo, no Central Park! Vestidos como?! Calção e camisola de manga cava. Eu asseguro: estavam muitos graus negativos, mas aqueles atletas iam descascadíssimos. Foi o dia do clique! Então eu que não suporto correr com calor, equipo-me desta forma para quê?

 

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"A" peça de roupa para correr no tempo frio? Eu elejo o buff, se quiserem, a gola multiusos (mas de algodão, nada de polares). Nem sequer é pelo frio, mas se estiver muito vento é o melhor amigo dos ouvidos, se não fizer falta nenhuma, duas voltas e fica em modo pulseira, não chateia nada.

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Constipações?! Nunca... Diz que correr reforça o sistema imunitário. Arranjem lá outra desculpa.

 

Ai Barrancos, vamos rindo, enquanto não choramos...

Dia 19 de Novembro vou fazer o Trail de Barrancos na distância de 42km, para fechar o ano em grande (sofrimento?!)

Entretanto já lá tenho ido treinar... para confirmar a dimensão da loucura em que me vou meter.

Eu que sou toda do digital, tenho-me dedicado a fazer umas brincadeiras em vídeo.

Do último treino em Barrancos resultou esta: