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Um passo nunca vem só

Um passo nunca vem só

O meu kit de iniciação #3

Esta coisa das app de corrida é uma grande invenção. No fundo são uma companhia, no início, ainda por cima uma companhia querida, sempre a dar boas notícias!

 

No caso da app que eu uso, instalada no telemóvel, vai falando comigo ao longo do percurso, quilómetro a quilómetro, quanto tempo levo de exercício, e qual o pace (minutos por quilómetro) com que completo cada quilómetro. Ora uma pessoa entusiasma-se. Isto para quem está a começar pode fazer toda a diferença.

 

Correr, para mim, implicou sempre saber o que estava a fazer, aliás logo a partir das primeiras caminhadas. No fundo foi onde sempre residiu grande parte da minha motivação: competir comigo com a oportunidade de avaliar objetivamente os resultados e os progressos.

 

Claro está que a caminhada pode ter muitos ritmos, mas se o objetivo é ir subindo a parada para terminar com o gostinho da superação, ou tens de aumentar os quilómetros percorridos, ou acelerar o passo. A questão é que mais quilómetros implicam mais tempo de exercício e há alturas em que é preciso despachar.

 

Aliando o fator “tenho que me despachar”, ao fator “quero fazer melhor”, ao fator “olha! uma descida!” comecei a intercalar momentos de corrida nas minhas caminhadas.

 

Aproveitava sempre o declive do terreno para mudar o passo para a corrida, mal vislumbrava que se estava a acabar, voltava ao passo rápido da caminhada, com o pensamento que ainda hoje me acompanha “isto não é para me fazer sofrer, esticar só até onde me dá gozo, que eu não fiz mal a ninguém” (a ingenuidade tem destas coisas).

 

A música também foi grande companheira logo desde o início! Preparei uma playlist com “música para mover el esqueleto”. Ainda tentei com umas coisas mais suaves, mas a verdade é que as batidas por minuto do que estamos a ouvir têm alguma influência na forma como nos movimentamos e, portanto, nada disso foi para a dita playlist. Quando comecei a correr em grupo a música passou a ser outra e deixei de sentir falta de levar sempre a música, mas a verdade é que ainda hoje por vezes levo, com uma diferença: normalmente para animar o ambiente, em modo tunning. É que os fones na corrida em grupo não resultam…

 

Por isso não vale a pena eu tentar passar por uma corredora da velha guarda do atletismo, porque nem sequer dá para disfarçar. Por aqui o que eu assumidamente sempre pratiquei é corrida de rua (no alcatrão ou nos trilhos), em grupo, bem artilhada com acessórios de corrida, sem plano de treinos (até hoje) e, tanto quanto possível, bem arranjadinha, que uma mulher nunca deve descer do salto, mesmo que se vá enfiar nuns ténis de corrida.

 

Ora por falar em ténis, aqui está o acessório mais importante do kit: um bom par de ténis de corrida, naturalmente. E sobre o que é bom para cada um, nem sequer me vou atrever a opinar. E, até neste ponto, a minha história tem a sua piada: comecei a caminhar e a “corrinhar” de sandálias… de uma marca desportiva e muito confortáveis por sinal, mas de sandálias. E até foi bom fazer isto nas primeiras semanas para perceber melhor a diferença que faz um calçado adequado.

 

Na segunda semana (depois de já ter levado umas nicadas da gravilha nos dedos dos pés) lá resolvi ir… aos saldos! Aproveitei na verdade uma ida a uma factory store, onde há aqueles modelos que já passaram de moda ou coisa que se lhe valha e comprei os meus primeiros ténis de corrida a bom preço. Custei a engolir-lhes a cor (roxos com cordões laranja, que depressa entranhei) mas foi com eles que aprendi muito do que é importante para os meus pés: o tamanho (1 numero e meio acima do outro calçado), a largura da biqueira para os dedos não irem em modo “passageiro de metro no japão em hora de ponta” e o peso (é verdade uns gramas de diferença sentem-se).

 

Depois de algum tempo neste registo a intercalar caminhada com corrida, a corrida instala-se naturalmente. Devagarinho, os passos rápidos da caminhada dão lugar aos passos tranquilos da corrida, naquela velocidade em que já dá para sentir a deslocação do ar, mas sou capaz de apreciar a paisagem, e dou por mim com outro pensamento recorrente “abranda, desacelera, controla a respiração, faz qualquer coisa… mas continua a correr. Tudo, menos andar”.

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