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Um passo nunca vem só

Um passo nunca vem só

O louco ano de 2015, as suas 13 provas e uma anemia #11

Depois do martírio que foi terminar a primeira meia-maratona, no início de dezembro de 2014, impunha-se que 2015 me trouxesse coisas bem melhores.

 

Na realidade 2015 trouxe-me muita coisa. Entre aquelas que valem a pena relembrar, porque de facto marcaram viragens na minha forma de estar, o desafio de correr 100 dias em 2015, está no topo da lista.

As 3 regras simples, mas de ouro, vieram para ficar:
#1 Não deixar passar 3 dias sem correr.
#2 Correr pelo menos 3 vezes por semana.
#3 NUNCA desistir”


O facto de já nesta altura correr quase sempre em grupo foi um incentivo para os treinos regulares, mas também para a loucura das provas.


Quando treinamos em grupo, os desafios são maiores. Onde há muitos objetivos diferentes, há sempre muitas propostas de treino: treinos rolantes, velocidade, séries, distâncias curtas, médias, longas, rampas, alcatrão, serra, de madrugada, à tarde, à noite, e por aí adiante. A mesma diversidade é depois extensiva às provas em que vamos sendo desafiados a participar: estafetas de 2km, provas de 5km, 10km, meias-maratonas (21km), provas com obstáculos e até a maratona (42km).

 

O primeiro semestre de 2015 foi muito duro, para além dos treinos regulares, em 4 meses participei em 8 provas, entre as quais 2 meias maratonas (provas de 21 km). Nunca tive resultados espetaculares, mas a verdade é que em vez de melhorar, houve provas em que os resultados na distância não equivaliam, nem superavam resultados anteriores e a meia maratona de Lagos, em maio, foi o verdadeiro descalabro. Sentia cansaço, mas achava normal. Muitos treinos, os miúdos pequenos, alguma falta de horas de sono, depois o calor, enfim, muitos argumentos!

 

Foi preciso uma consulta, um pedido de análises de rotina para a médica de família me perguntar “não tem sentido cansaço?”. Lembro-me de lhe ter respondido com outra pergunta, “trabalho, tenho 2 filhos e corro, não é normal andar cansada?”, “mas também tem uma anemia, sabia?”.

 

Eu sei que é parvoíce, mas fiquei contente! “A sério?! Então ando cansada por causa da anemia, então se a anemia for tratada passa-me o cansaço?”. Fiquei radiante porque no fundo já me tinha convencido que tinha limitações físicas para a corrida, aquele pensamento do tipo: “convence-te que não dás mais que isto, poupa-te, os treinos só vão servir para te cansar as pernas, não-dás-mais!” E afinal havia uma esperança no fundo do túnel… a cura!

 

Os meses de verão foram um martírio! Calor + anemia = não está escrito em lado nenhum. Ouvia-me a ofegar enquanto corria, sentia faltar-me o ar, mas assumi o compromisso de não deixar de treinar. Corria menos quilómetros, corria tão devagar quanto necessitava para conseguir respirar sem parecer que estava a ter um ataque de asma, evitava as horas de calor, preferia correr à noite. Nesta fase andava um outro companheiro de corridas mal de um joelho e outro a queixar-se de excesso de peso. Como nada disto nos leva a capacidade de rir de nós mesmos juntámo-nos imensas vezes numas corridinhas que carinhosamente chamávamos “do coxo, do gordo e da anémica”.

 

Passei a comer a todas as refeições alimentos ricos em ferro e outros ricos em vitamina C para ajudar a fixar o ferro (muita, muita, muita beterraba ralada ou cozida, espinafres de todas as maneiras e feitios, agrião, carnes vermelhas) e tomei re-li-gi-o-sa-men-te as ampolas de ferro que me foram prescritas.

 

Foram 4 meses de luta, luta aplicada! A anemia era ferropriva, os níveis de hemoglobina e ferritina estavam abaixo dos valores normais e a verdade é que por natureza sempre tive estes valores muito baixos, sempre próximos do valor mínimo dos intervalos e, portanto, o objetivo era que voltassem a estar dentro do intervalo.

 

No final de setembro já me sentia francamente melhor, tinha recuperado algum ritmo e até já me tinha inscrito em provas que para mim eram importantes. Se recuperasse ia tentar fazê-las o melhor que pudesse. As análises, entretanto, confirmaram valores sempre baixinhos, mas já dentro do intervalo. E foi no fundo mais uma das achegas na mudança da minha alimentação: há vegetais que já não saem da lista de compras semanal.

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Foi nestes planos que fiz, nesta esperança de melhorar a que me agarrei, que entre outubro e dezembro de 2015 dou por mim inscrita em mais 5 provas: a prova de atletismo de Viana do Alentejo (a minha primeira e onde espero poder regressar sempre!), a mítica São Silvestre de Lisboa, onde acabei por bater o meu recorde pessoal dos 10 km, 2 meias maratonas, entre as quais a de Évora, onde bato o meu recorde pessoal aos 21km e nos 42 km da maratona de Lisboa, a primeira e única prova da distância que fiz até hoje.

 

Mas como é que alguém em baixo de forma, a fazer treinos curtos e vagarosos se inscreve para uma maratona: 42km! Como? Porquê? Essa é outra história, que começa assim “um dia fui comprar uns ténis novos…” (continua).

 

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