Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um passo nunca vem só

Um passo nunca vem só

Sou Rainha meus senhores, sou Ultra de papel passado! #26

2017-01-16 21.23.53.jpg

Comecei 2017 com chave (coroa?) de ouro, fiz-me Ultra no Trilho dos Reis, na Serra de São Mamede no dia 15 de Janeiro, no mês em que fiz 37 anos.
 
A experiência foi magnifica, o resultado foi o pretendido: 7 horas e 38 minutos depois do tiro de partida cheguei ao fim a sentir-me capaz de mais, com vontade de fazer melhor, e isso não tem preço.
 
Correu-me tudo de feição ao longo dos 44 quilómetros da "floresta mágica"!
 
O ambiente é excitante: a música, o pórtico de saída e entrada do mercado, os animadores caracterizados ao longo do percurso, a simpatia dos voluntários (tantos!), a quantidade de fotógrafos que nos faz querer correr e sorrir para ficar bem na chapa, os requintes de malvadez na ilustração dos trilhos, um abastecimento de café quente tirado da máquina na hora ao km 30, tantos e tão bons pequenos detalhes que nos fazem sentir queridos e bem-vindos!
 
Quem, a juntar a isto, souber fazer bem a sua parte e preparar-se, não tenho dúvidas, sente-se verdadeiramente entronizado naqueles trilhos! O que eu me senti grande, mesmo perante aquelas subidas gigantes, e o que eu gostei de descer aquela serra. O sentimento é épico, como se de um duelo permanente se tratasse, ora o trilho me subjuga, obriga-me a abrandar, a apoiar-me nas coxas, a agachar-me, a meter-me de joelhos, ora eu subjugo o trilho e recupero a minha velocidade, salto troncos, derrapo, trepo, de dentes cerrados e ranho em bica, mas determinada a vencer aquela batalha, que é contra mim.
 
A serra é fantástica, o percurso não é para turistas, é para trailers de alma e coração. Os últimos quilómetros ao longo de um curso de água, no meio do arvoredo fizeram-me voar o pensamento para a serra da Lousã onde sofri tanto... fizeram-me perceber o que cresci neste último ano, como descobri um novo eu, sem mais nem medos, e deram-me a confirmação de que nada acontece por acaso.
 
Se vierem por aí outros Cursos das Novas Oportunidades, quero a validação destas minhas competências, adquiridas pela prática, à custa de muito suor, arranhões, quedas, molhas, dores e alegrias: sou Rainha meus senhores, sou Ultra de papel passado!

P’ra enrijar os ossos? Cálcio e trail! #16

Comecei a correr em 2014 e foi ainda nesse ano que experimentei ir correr para o campo. Não fiz nenhuma prova de Trai Running em 2014, nem em 2015. Limitei-me a fazer treinos em serra, alguns nem sequer em serra, apenas corrida em zonas rurais com alguns declives (mais registo de corta-mato).

 

Foram sempre corridas em grupo, empolgantes! O contacto com a natureza, as paisagens e os caminhos que nem imaginava que por ali se escondiam. A Serra de Valverde, a Serra D’Ossa, a Azaruja, Nª Sra. de Machede ou a Boa Fé renderam (sempre) muitas horas a subir e descer estradas, estradões, corta-fogos e trilhos, a molhar os pés para passar riachos e ribeiras. Renderam lições de geografia, fotografias de paisagens de cortar a respiração e mais, renderam curiosidade pelas provas.

 

Gostei das experiências a achei que valeria a pena experimentar as provas de Trail Running em 2016, e foi assim que fui a Estremoz (17km), a Monsaraz (12km), ao Gerês (27km), aos Açores (20km), à Lousã (27km) e a Monchique (34km).

 

Tem sido um ano para aprender muita coisa, a principal: o trail não nos mata, mas torna-nos mais fortes, literalmente! É tipo cálcio, enrijece-nos a estrutura física, mas também a mental. Este enrijecimento não é por acaso, é fruto da nossa capacidade de relativizar. Depois de passares por determinadas coisas, há outras que deixam de ter importância.

 

É claro que há trails e trails. Nem todas as provas são iguais e ainda bem. Há provas que são autênticos corta-matos com subidas de bónus e outras são autênticas escaladas com escassas oportunidades de correr.

 

Em todos os casos hão de sempre haver umas subidas tramadas (parte pernas) umas descidas valentes (arranca unhas), uns trilhos com mato alto e espinhoso (risca cromado), uns riachos (ensopado de peúga, na melhor das hipóteses) e, com sorte, lama, rochas, lajes, ravinas, escarpas, veredas, troncos, muros, vedações, porteiras. Todo o tipo de obstáculos naturais e construídos que fazem do mato um autêntico parque de diversões (para quem se consegue divertir) ou uma mega sala de tortura (para quem não se consegue divertir e sofre, muito!).

 

Para o bem e para o mal, em todos se cresce, em todos se aprendem lições importantes, sobre o equipamento, as assaduras e as unhas negras, sobre como descer, subir, pular e trepar, sobre como gerir o esforço, sobre como nos alimentarmos, e sobre companheirismo.

 

O trail é sempre duro. Em última análise são provas para gente dura, paciente e resiliente. São provas onde ganha terreno quem tem melhores condições físicas (naturalmente), mas fundamentalmente quem tem maior capacidade de sofrimento. E quem chega ao fim ganha sempre!

 

Para terminar o ano elegi Barrancos, na distância de 42 km. Vai acontecer dia 19 de Novembro, e vamos ser muitos a participar. Vai ser duro, vai doer, mas vai tornar-nos a todos mais fortes e vai render memórias daquelas que são repetidamente contadas e que nos enchem de nostalgia.

 

Diz que o cálcio é bom para os ossos… o trail ainda é melhor.

 

2016-05-30 23.55.20.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Calendário

Julho 2017

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031

arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

subscrever feeds

Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.