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Um passo nunca vem só

Um passo nunca vem só

Correr a Maratona de Atenas: a autêntica! #54

Demorei a conseguir escrever umas linhas sobre a Maratona de Atenas, mas não podia deixar de o fazer, afinal de contas esta é “A” Maratona, a original, a autêntica e eu tive a sorte de participar e acabar… bem!

 

Faz sentido primeiro enquadrar esta participação. A ideia foi da minha amiga Ana Vieira Lopes, devíamos estar no final de 2017. Andava eu numa fase de pouco treino e ela lança o desafio dizendo “é das mais duras, tem mais de 20km de subida!”. O que me fez responder de imediato “nem pensar que me meto numa coisa dessas, só tu para achares isso um bom desafio!”.

 

O tempo foi passando, a ideia foi amadurecendo e numa tarde de domingo, daquelas sem grande coisa para fazer fui ao site e sem pensar muito nisso… inscrevi-me: “nunca fui à Grécia, vamos passear a Atenas e depois logo se vê!”.

 

Estávamos em Abril e eu praticamente sem treinar nada de jeito, a fazer uma Pós Graduação em Marketing Digital a 150 km de casa, dois dias por semana, entre as 18h00 e as 23h00, que me obrigava a trabalhos e exames e me “roubou” a oportunidade de treinar regularmente. Em Julho fiz o último exame e recomecei a treinar.

 

Foi horrível, um corpo que se desabitua de treinar (pelo menos um corpo como o meu, sem histórico no atletismo) pena muito para recuperar o ritmo, a respiração e vontade. E eu que me dou tão mal com o calor para correr, não tive outro remédio senão contrariar a cabeça, a falta de vontade e o corpo e recuperar aquele ritmo de treinos das 3x por semana.

 

Optei por não me entregar a um plano de treinos, que eu sei que faz tooooda a diferença quando queremos evoluir e atingir objetivos mais ambiciosos. Mas o meu objetivo era humilde: fazer a prova sem ter de caminhar e terminar. Para isso, tinha de ter o corpo treinado para resistência e isso implica treinos regulares e uma cabeça afinada.

 

Não meti outros objetivos, como por exemplo melhorar o meu tempo na distância, porque em todas as crónicas que li sobre a prova repetiam-se as menções às subidas, ao facto de ser uma maratona com essa particularidade, de não ser prova para “tempos”. E li várias mesmo, por exemplo no blog do Vitor Dias, Correr por Prazer, com o título Maratona de Atenas - Crónica, ou no site Ativo, nas palavras de um runner brasileiro, com o título Maratona de Atenas que faz jus a sua fama de inesquecível, entre outras. Curiosamente nenhuma falava nos tempos que tinham feitos noutras maratonas, comparativamente com a de Atenas, o que me deixou ainda mais curiosa.

 

Eu só tinha feito uma maratona de estrada em prova, no longínquo ano de 2015, uma maluqueira sem preparação nenhuma e tinha feito em 4h31. Portanto sempre pensei que ir a Atenas significaria fazer mais de 5 horas, convenci-me disto à séria.

 

Depois comecei a olhar para o gráfico da prova e… meus amigos… aquela porra assusta:

Altimetria Maratona de Atenas 2018.PNG

Bem, restava-me treinar! 27 de Junho entrei em modo “contagem de treinos”, que durou até ao dia 6 Novembro: 76 treinos. Todos eles partilhados na página de Facebook deste blogue.

 

Os primeiros 18 treinos foram penosos. Durante dois meses fiz imensos treinos a uma média de 6’30’’/km alguns a ritmo ainda mais lento e só por duas vezes consegui baixar do ritmo de 6 min/km. Houve dias que só tive vontade de arrumar os ténis num canto escondido lá de casa e dedicar-me à bricolage. O corpo não respondia… precisava de tempo e eu sem paciência.

 

No final de Agosto o ritmo começou a melhorar e em meados de Setembro pareceu-me boa ideia inscrever-me numa série de provas que me ajudariam a puxar mais pelo ritmo, a treinar a força de pernas e a alimentação em prova. E foi assim que fiz 5 provas entre 23 de Setembro e 20 de Outubro: Corrida do Tejo (10km); Trail Sem Pavor (15km); Trail Serra de Portel (26km); Meia Maratona de Lisboa (21km) e Trail Abrantes 100 (25km).

 

Na Meia Maratona de Lisboa foi onde comecei a acreditar que finalmente o corpo estava a responder aos treinos. Sem querer, numa prova que mete uma terrível subida até à rotunda do Marquês, bati o meu recorde na distância e fiz a prova em 1:54:16. Senti-me sempre muito bem durante o percurso, capaz de puxar e dar o máximo nos quilómetros finais, mesmo a queimar o cartucho. Foi fantástico!

 

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Ficava a faltar o treino mais longo. Um que metesse mais de 30 km. E foi aí que me lembrei de desafiar uns amigos e irmos rever um percurso que já tínhamos feito na aventura Évora a Fátima a correr: Golegã » Fátima! A quem isto possa não dizer nada, este percurso de 31km tem a particularidade de passar pela Serra de Aires e Candeeiros… aquela porra sobe, meus amigos, sooooooobe a doer. Já só percebi agora há pouco tempo que o ganho de elevação deste treino com menos 10km que a Maratona de Atenas é bem superior ao da prova e a perda de elevação muito menor. Ou seja, pena-se bem mais neste treino do que em prova em Atenas.

 

Bom e já chega de enquadramento!

 

A MARATONA DE ATENAS

 

A Ana Margarida que me falou na prova, entretanto mudou de objetivos e tinha decidido não ir à Grécia. Iria eu e o meu marido, que por motivos vários, entretanto optou por alterar a inscrição para a prova dos 10km. Água vai, água vem e a Ana afinal decide ir. Iriamos partir juntas e eventualmente fazer ali uma equipa em que lhe caberia naturalmente a ela puxar por mim, mais do que o contrário. Mas a inscrição foi feita em alturas muito diferentes e os nossos melhores tempos em prova também não coincidem, acabaram por atribuir-lhe o bloco de partida diferente do meu.

 

Sem stress: o ponto de encontro passa a ser o hotel! Com quase 19.000 pessoas na start list é impensável programar outros pontos de encontro.

 

Na véspera fomos até à Expo levantar os kits. É enorme! Nunca tinha estado numa mostra tão grande de produtos e equipamentos. Acabei por comprar um porta dorsais com uma bolsa expansível que me pareceu que seria uma óptima solução para os meus géis e o meu telefone. E não foi má compra… parvoíce foi levar o meu telefone que é gigante e pesado e que me valeu uma moinha e uma assadura nas costas e na barriga, que tive que ir rodando a bolsa.

 

Bem, o primeiro desafio era meter o sono em dia! É que ainda são 2 horas de diferença e no dia da prova, levantar cedo significou sair da cama às 3h da manhã (hora portuguesa!). Não correu mal, a adrenalina era muita. Depois um pequeno almoço em condições, com ovos, fruta e aveia, faz-se um farnel com banana e umas amêndoas para comer mais perto da hora de partida e lá fomos a caminho dos autocarros que nos transportariam até à cidade de Maratona, a 40km de Atenas.

 

Tudo bem organizado, apanhámos o autocarro no ponto mais próximo do hotel e fomos curiosas observando o nascer do sol e o percurso que coincidiria em boa parte com o que faríamos na corrida de regresso.

 

Chegadas a Maratona começámos a ter noção do que é uma prova com 18.000 pessoas… é muuuuuuuuuita gente. É uma banho de mundo! Vê-se de tudo, nem dá para descrever: idades, nacionalidades, condições físicas, equipamentos para todos os gostos e feitios.

 

Deixámos a roupa que levávamos a mais no bengaleiro móvel que levaria os pertences de regresso à meta, recolhemos o plástico que nos protegeria do frio até ao início da prova e um buff verde que a organização distribuiu como forma de sensibilização para a necessidade de reflorestar a zona devastada pelos incêndios deste verão.

 

Seguimos para as filas da casa de banho (centenas!!!) e num instante passou o tempo e chegou a hora de nos dirigirmos para os blocos de partida. Ainda houve tempo para avistar a chama olímpica e tirar umas fotos, deu aquele arrepiozinho bom. Aquela sensação de estar a viver qualquer coisa única na vida… e que privilégio!

 

Embora nos emails que fomos recebendo houvessem imensos avisos sobre a desclassificação dos atletas que partissem de um bloco que não correspondesse ao seu dorsal, curiosamente havia controlo zero à entrada dos blocos… coisa que nunca tinha visto em nenhuma outra prova!

 

Comer a banana, bebericar uma água e… vontade de mais um xixi que já não havia onde fazer. Aguenta! Claro está que não fui a única e nos primeiros quilómetros era ver o pessoal a procurar o melhor local para mudar a água às azeitonas. Corri 8 minutos e tive que improvisar um WC, achei que estava prestes a explodir. Valia mais perder ali 1 minutinho do que comprometer a minha prova mais adiante. E foi a melhor decisão. Estava pronta para encarar a dita.

 

Os primeiros 8km são super tranquilos, quase sempre a perder elevação. A partir daqui começam a avistar-se as ditas subidas que eu fui encarando uma a uma com a cabeça levantada a tentar perceber até onde se via gente e onde deixava de se ver, o que significava que o terreno ali começaria a perder elevação. Não demorei a perceber que estava a fazer o tipo de prova que mais gosto, onde é inevitável a variação de ritmo, em virtude da sucessão contínua de topos: sobe, desce, sobe, desce.

 

Parte pernas? Não há ali nenhuma subida assim! Ao ponto de arder o músculo? Um ou dois momentos. Lembro-me do km 16, porque estava a sentir a subida e lembro-me das subidas nos tuneis já dentro de Atenas. Todas as outras subidas, que são realmente muitas, vão sendo compensadas pelas descidas que lhes seguem.

 

Depois há as pessoas no percurso, à passagem pelas várias localidades, há mesmo muita gente a dar ânimo, é impossível passar indiferente e não sorrir. Muitas distribuem ramos de oliveira que os corredores aceitam (eu aceitei um para rapidamente perceber que aquilo não dá jeito nenhum a transporta e deixei-o pelo caminho).

 

Há todo um cenário arrepiante de uma terra que o fogo engoliu… havia a determinada altura do percurso um pórtico insuflável com um apelo aos corredores para colocarem o buff verde e darem cor à zona ardida por onde iriam passar e muita gente vestida de preto, num gesto de luto por aquela devastação que aplaudia e agradecia o gesto dos corredores.

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E depois há os milhares de corredores que vamos observando e analisando pelo caminho e que servem de motivo de abstração por largos quilómetros. A forma como respiram, o tipo de equipamento ou acessórios que levam, a forma peculiar da passada. É caso para dizer mesmo: só visto!

 

Já com mais de metade do percurso feito comecei a recear o “homem da marreta”. Fui sempre comendo, bebendo, deitando água pela cabeça, mas estava convencida que a qualquer momento poderia sentir aquele cansaço, o desânimo… que nunca chegou!

 

Fui observando as dezenas de postos de socorro pelo caminho, pensei várias vezes em parar e pedir spray para os gémeos que a determinada altura começaram a acusar os km, mas só via gente a ser massajada com pomada e eu tinha as perneiras. O tempo que ia perder a baixá-las, massajar, voltar a subi-las… resolvi arriscar e seguir sem paragens.

 

Eis que chega o famoso km 31! E a partir daí a prova começa a perder elevação. Que sonho! A descer, corria soltinha como nunca pensei que fosse possível.

 

Ao km 32 liguei ao meu marido: achou que tinha desistido! Não, só queria saber onde é que a claque estava posicionada, queria receber a bandeira do meu grupo de corrida para entrar com ela no Estádio de Atenas. Respondeu-me “Estás bem? Então corre que eu trato do resto.”

 

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Não dá para vos descrever a sensação de entrar na cidade de Atenas… é verdade que ainda faltavam uns bons km para terminar a prova, mas naquele caso passam a ser “só” os km que faltam. É a reta final, com casas, com gente, muita gente e muito apoio nas ruas. Também é onde se começam a ver os casos graves de gente que se arrasta, que cambaleia, gente deitada a ser socorrida, é um misto de sensações. Depois enviaram-nos umas estatísticas onde fiquei a saber que nos últimos 5km fui ultrapassada por 306 pessoas, mas passei… 1022!

 

Não conseguia parar de sorrir. Entrei no meu modo maluquinha e comecei a falar sozinha, estupefacta a olhar para o relógio, o tempo que tinha em prova e o ritmo a que ainda conseguia correr “Isto é espetaculaaaaaaaaaar Tânia Patrícia”.

 

Nos últimos quilómetros da prova lá estava a claque tuga distribuída, uns a gritar, outros a tirar fotos e o marido com a bandeira em punho ainda correu uns metros ao meu lado para saber se eu estava bem. E pronto, daí para a frente meus amigos… que sorriso que eu levava! Acho que animei uma parte da assistência nesses quilómetros que me olhavam e retribuiam o meu sorriso com palmas mais fortes e as mesmas palavras gregas que incentivo que fui ouvindo ao longo do caminho. Foi bruuuuuuuu-taaaaaaaaaaal.

 

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Entrar no Estádio Panatenaico, cruzar a meta e perceber que tinha acabado de fazer aquilo em 4h09 minutos… queria EXPLODIR de alegria.

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A Ana Margarida também terminou a prova dela muito satisfeita! Mais uma pessoa que bateu o recorde pessoal na maratona de Atenas, com a marca de sub 4 horas. Portanto quando me dizem que esta não é a prova para bater recordes pessoais, só tenho a dizer que pode ser. Vai depender do nosso percurso e naturalmente do tipo de corredor que somos, do tipo de provas em que nos damos melhor. Para quem está habituado a correr sempre em plano direito, aqui é capaz de se dar mal. Mas não somos todos iguais, não é verdade?

 

Eu adorei a experiência, o tipo de prova. Achei desafiante naturalmente, mas longe de ser um bicho de sete cabeças. É uma Maratona! São 42km a picar alcatrão. Para mim, com a vantagem de poder variar o ritmo em função do ganho ou perda de elevação. O percurso não tem uma beleza particular. Mas o facto de nos permitir estar nos estádios de Maratona e no Panatenaico de Atenas, a proximidade com a chama Olímpica, o número absurdo de participantes, o facto de aqui neste mesmo percurso estar a origem da prova e outras particularidades fazem com que valha muito a pena vir fazê-la.

 

Estatistica Maratona Atenas.PNG

Cortar a meta não significa chegar ao fim #53

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Quando cortas a meta não chegaste ao fim.

Significa que cumpriste um percurso.

Um de muitos que fizeste antes daquele dia.

Um de muitos entre tantos que se seguirão. 

Na meta não termina prova, mas provaste que consegues ali chegar.

Não é prova de tudo o que vales. Mas faz prova do valor que tens.

O tempo, o ritmo, a distância são apenas detalhes de um momento, têm o valor que tu lhes quiseres dar, o sabor que lhes quiseres sentir.

A meta é a só a sensação de dever cumprido, um dever a ti próprio antes de todas as coisas.

Não chegaste ao fim.

Cumpriste.

Acabaste de recomeçar...

Correr em Grupo... é uma merda! #52

 

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Correr em grupo é uma merda!

Antes que me crucifiquem passo a expôr os meus argumentos.

- Em primeiro lugar correr em grupo é uma merda porque nos "obriga"! Obriga-nos na medida em que sentimos que há ali um laço, um compromisso, um dia, uma hora, um treino que alguém vai conduzir, não pode ser no dia seguinte, nem mais tarde (tão tarde, que "afinal já não vou hoje!").

 

- Em segundo lugar, há sempre alguém a puxar por nós, naquele momento em que pensas "chega disto, vou voltar para o carro", há uma voz amiga que te faz seguir no sentido do grupo e fazem-se sempre mais uns quilómetros do que aqueles que a nossa mente preguiçosa estava disposta: "mas não podemos atalhar já por aqui???"

 

- Em terceiro lugar, é o ritmo. Vamos no nosso ritmo de conforto até percebermos que podiamos estar a ir um pouco mais rápidos para acompanhar o grupo, começamos a arfar, a dizer mal à vida e no final: "UAU, eu fiz estes quilómetros a este ritmo?!" = superação!!!!

 

Então na verdade é das melhores merdas que acontece a quem quer correr e, tal como eu, tem ataques de preguicite, tem acessos de procrastinação, tem uma tendência danada para adiar, para deixar para amanhã, para atalhar o percurso, para ir mais devagar "que eu vou bem assim".

 

E depois um grupo de corrida faz coisas horríveis do género, levar-nos por caminhos, zonas, trilhos que sozinhos nunca percorreríamos, mostrar-nos ruas, bairros e travessas da cidade onde vivemos que nem sonhávamos que existiam ou permite-nos conhecer quase tanta gente nova como quando mudamos de escola (vocês não sei, mas há muita gente que muda de escola há mais de 20 anos).

 

Quem ainda não experimentou não sabe o que anda a perder... há merdas que vale mesmo a pena experimentar!

Se te custa correr, porque é que corres? #51

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Isto de correr, tem muito de penar. É verdade e quem disser que não, está a mentir.

 

E por isso é legítima a pergunta: MAS POOOORQUÊEEEEEEEE?

 

A determinada altura todos nos perguntamos isto. E hoje deu-me pra isso. Ia a correr, a penar e a pensar: “porquê?”. Por que raio uma pessoa se submete de livre vontade a tomar uma ação que sabe que lhe vai custar, que lhe sai do pelo. Nem tinha a desculpa de me ter comprometido com alguém, ou de me sentir na obrigação de responder a um objetivo marcado, nada.

 

E cheguei a uma conclusão simples: a isto chama-se ter um propósito.

 - Porque é que vamos estudar (já naquela fase em que o ensino não é obrigatório), sabendo que vamos queimar as pestanas, que vamos fazer serões agarrados aos livros, aos trabalhos?

- Porque é que escolhemos trabalhar, quando podemos viver encostados a alguém, ou ao rendimento mínimo?

- Porque é que nos casamos, se podíamos viver solteiros e não ter de abdicar, nem ceder, nem partilhar?

- Porque é que temos filhos, se podíamos não ter de cuidar de ninguém, nem de limpar cocós, nem de passar noites em claro, nem de andar sempre com o coração nas mãos.

 

Porque temos uma expectativa e temos um propósito.

 

Porque acreditamos verdadeiramente que, de alguma forma, todas estas coisas que não são só rosas, em algum momento nos acrescentam. E com a corrida é igual. Há ali alguma coisa que nos acrescenta. Não é igual para todos, não acrescenta o mesmo, nem de igual forma. Mas acrescenta. Tal como estudo, trabalho, casamento e filhos a corrida traz-nos coisas boas para o corpo e para a cabeça.

 

E enquanto sentimos que o balanço é positivo, perdoamos o mal que sabe pelo bem que faz!

Porra que algum dia tinha que me calhar... foi em Monsaraz! #50

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2018 é o meu "ano para esquecer" a nivel desportivo. Motivos vários fizeram-me abrandar o ritmo dos treinos (isto sou eu a ser simpática comigo, na verdade não tenho treinado a ponta de um corno!).

Desde o dia 1 de janeiro e até ao dia de hoje, 25 de março, fiz-me à corrida 12 míseras vezes (1 treino em Março!)...

Mas o Monsaraz Natur Trail é daquelas provas que não se falham e com um simpático convite dos Piranhas do Alqueva para me associar como embaixadora à prova... nem que chovessem picaretas, tinha que ir.

A prova de 12km era duuuuuuuuura! Um sobe e desce impiedoso, muita lama, muita pedra, muito socalco, durinho, durinho.

Ao contrário das outras edições, este ano o início e o fim da prova estavam instalados no Castelo de Monsaraz, mais um ponto a favor de uma prova cuja paisagem não tem igual aqui por estas bandas.

As marcações, a organização, os voluntários, os abastecimentos, tudo preparado ao mais infímo detalhe. Com o cuidado e o carinho de quem quer bem a quem ali vai.

Posto isto resta-me dar os parabéns aos Piranhas e renovar o meu agradecimento, por um lado pela oportunidade de ser uma das caras de uma prova que levo no coração e por outro lado pelo empenho com que a organizam, e que ajuda claramente a subir o nível do trail que se organiza no Alentejo.

Quanto a mim... bem...

Algum dia tinha de ser o dia! Algum dia tinha que me calhar não me sentir em condições de me superar. E assim sendo, deu para tudo. Para desfrutar da paisagem, para tirar fotos, fazer vídeos, conversar com os companheiros do caminho... acabou por ser uma nova experiência nas distâncias curtas.

Meti a teste uns óculos para ver se resolvo o meu problema de lágrimas em prova (deixo de ver!) e, se não foi só coincidência, parece ter resultado.

Por outro lado voltei a cair em prova, baaaaaahhhhh... Já tinha saudades de me esbardalhar. Pontapé numa pedra e... pumba! Parecia uma tartaruga ninja enrolada pelo chão antes do salto para kick rotativo no ar. Apesar de tudo não me magoei, o impacto foi com as mãos e levava as minhas ricas luvas "ampara-quedas". A companhia da minha equipa, rever companheiros de andanças, conhecer malta nova e... cerveja no final porque tudo está bem, quando acaba bem!

 

 

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Ultra Trail e Mini Trail não há cavalo nem burro! #49

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Depois das provas de Ultra-Distância (+44 km) o ano passado e da paragem no verão à conta da anemia, entendi que o meu regresso às provas deveria ser ajuizado e progressivo (sim mãe, aos 38 anos estou a ficar uma mulherzinha).

 

Gosto de novidades e de sentir-me desafiada. A aposta foi então experimentar trails nas distâncias mais curtas, experiência inédita para mim. O trail mais curto que tinha feito foram 17 km em março de 2016, a partir daí foi sempre entre os 22km e os 44km. Nos trails, para uma pseudo-desportista como eu isto significa sempre andar umas horas boas em cima das pernas pelas serras adentro. E quando digo horas boas muito facilmente entre 4 e 8 horas (sim uma vez precisei 7 horas para fazer 25km, no Louzã Trail, brrrr… mas também já fiz mais de 40km em 6h30, no Trail de Barrancos!)

 

Bom, então, a grande novidade para mim é ir para uma prova de trail e em mais ou menos duas horas ter o assunto despachado, eh… que maravilha!

 

Em novembro de 2017 estreei-me nestas novas andanças no I Trail Iberlince de Barrancos onde fui levar um belo empeno de anunciados 11km, mas que graças a um acrescento de IVA e outro de um erro meu de percurso resultou nuns fantásticos 14km, em 2 horas (um tempo excessivo para os quilómetros e para o tipo de percurso, mas em que aprendi umas coisas) – uma prova de excelência a todos os níveis!

 

Hoje fui até Portalegre ao Trilho dos Reis à pala da crónica que escrevi o ano passado quando fiz pela primeira vez uma prova de Ultra-Distância e me sagrei ultra corredora “de papel passado”, que me valeu uma inscrição para a prova deste ano e voilá 1h34 minutos tinha o assunto tratado. Fi-lo na belíssima companhia da Sónia do SC de Portel e continuo cá na minha: correr acompanhado é todo um outro nível de motivação, alegria, etc e tal. Obrigada Sónia!!!!

 

E tenho que vos dizer que gosto das duas modalidades e que não acho nada que o meu percurso seja de cavalo para burro, porque entre uma prova longa e outra curta, não acho mesmo que haja um cavalo e um burro. A classificá-las diria que para uma pertencer à raça dos equídeos a outra teria que ser atribuída a outra classificação animal. São bichos muito diferentes.

 

Fazer uma Ultra implica uma % muito grande de cabeça, de persistência, de paciência, e alguma preparação. Implica saberes falar contigo, falar sozinho, falar alto, negociar contigo próprio, encontrares maneira de justificares de ti para ti porque queres fazer aquilo e como. Numa ultra (estou sempre a falar da minha experiência de pseudo-atleta): tiram-se fotos, não se falha um abastecimento, fazem-se diretos para o Facebook, aprecia-se a paisagem. É tanto tempo na serra que é inevitável, há tempo e oportunidade para tudo.

 

Fazer uma Mini em mim tem um seguinte efeito: máxima concentração possível para despachar aquilo rapidamente (não há cá vagar, nem paciência para fotos, diretos, abastecimentos, paisagens, etc. e tal). É gerir nas subidas, prego a fundo sem amor aos dentes nas descidas, aproveitar os planos para esticar e apontar à meta para ir gozar o after: festejar, ir ver a classificação, ver a malta das outras provas chegar, tomar banho, comer, ver a malta das outras provas chegar, ir tomar banho, mudar de roupa, ir ao carro 3 vezes e continuar a ver a malta das outras provas chegar enquanto o convívio se adensa e as histórias e os abraços se multiplicam.

 

O maior desafio destas provas piiiiquenas? Chegar ao single track antes da malta da caminhada, ou rezar para que a organização tenha feito bem as contas à distância entre provas (mesmo num longo há malta que insiste em inscrever-se para ir caminhar), senão meus amigos, como se diz lá no meu algarve… tá tudo charingado: hora de ponta na 2ª circular não é tão frustrante. Estes amigos não têm culpa nenhuma e até acho que o principal é o espírito de participação, mas alguns deles têm gozo em dificultar a passagem de quem se inscreveu numa corrida, nem sequer para ganhar, mas para correr!

 

Gosto de ambas, a verdade é essa, não acho que haja um cavalo e um burro. Há truques. Em ambas. É preciso ir lá, fazê-las e aprender com elas. Depois o gozo vai aumentando, vais fazendo menos erros e no final do dia a satisfação de cortar a meta é, pelo menos para mim, igualmente compensadora!

Rumo ao 39! #48

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Nos últimos 38 (trinta e ocho) anos acho que jogámos bem, tivemos várias oportunidades de golo, na maioria fomos felizes e concretizámos. Uma ou outra falta pelo caminho, entradas a pés juntos, uns erros do VAR, nada nos derruba. A verdade é que os títulos estão cá todos!


Isto só foi possível graças a um plantel de excelência onde se incluem uma família e amigos ao mais alto nível.


Aos que estão sempre a jogo ao meu lado, titulares ou no banco, das velhas glórias às novas contratações, obrigada por tudo e em particular pelo carinho ao longo do dia de hoje!

É verdade que eu gosto é de correr, mas hoje fomos visitar o Santiago Bernabéu e a inspiração saiu-me para o lado da bola...


#RUMOAO39

E já lá vão 5500 quilómetros disto! #47

12 horas a correr.jpg2017 foi um ano do caraças!

 

Estrei-me na Ultra Distância em Trail, no Trilhos do Reis em Portalegre, fiz a confirmação em Mértola e em Monsaraz ainda me valeu um pódio, fiz Évora - Fátima a correr em 4 dias, superei a porra da anemia que não mata mas mói.

 

Tentei na recuperação da anemia cumprir um plano de treinos, percebi claramente que é vantajoso e que para atingirmos objetivos concretos é mesmo importante. Voltei a Barrancos para me estrear nas distâncias curtas de trail e foi mais um momento muito especial para mim, entre amigos e com a minha família. Fui na qualidade de embaixadora e ainda tive direito a pódio no escalão.

 

Acabei por desisitir do plano e dos objetivos, ainda fiz os 10 km da Corrida Monumental de Évor e gostaria de ter feito os 10km da São Silvestre de Lisboa em menos de 50 minutos. Fiz em 51 minutos e 15 segundos, piorei um minuto em relação ao ano anterior. Mas sei extamente porquê e não fiquei triste nem desiludida.

 

A verdade, verdadinha é que a vida é feita de tantas, tão grandes e pequenas coisas que há alturas e objetivos que só são compatíveis com uma sacrificio que por vezes não estamos disponiveis para fazer. Abdiquei conscientemente daquilo que me causaria menos prejuízo e abrandei o ritmo dos treinos.

 

Há uma certeza que me acompanha em 2018, quero continuar a correr. Gosto profundamente de tudo o que a corrida me trás. 

 

Gosto de saber que os 5500 qulómetros que trago religiosamente contabilizados desde Julho de 2014 na minha aplicação foram feitos pelas minhas pernas, mais depressa ou mais devagar, na estrada ou nos trilhos, sozinha ou em grupo, são todos meus. Isso então é que ninguém me tira.

 

Gosto das pessoas que a corrida me trouxe e ainda mais das que eu trouxe para a corrida, gosto de sentir que a corrida me aguça os sentidos e a escrita, que me define o corpo mas principalmente a cabeça.


2018? Vai ser outro ano do caraças!

É GRÁTIS! Correr em grupo é tão bom! Vamos? #46

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Por esta altura multiplicam-se por todo o pais as iniciativas de corrida que assinalam o final do ano: Corrida de São Silvestre.

 

Com a sua origem no Brasil esta corrida acontecia originalmente na noite da passagem de ano em homenagem ao Papa S. Silvestre, falecido a 31 dezembro de 335.

 

Em Évora de há 3 anos a esta parte o grupo de corrida de que faço parte, Correr em Évora, tem dinamizado uma corrida em grupo, sem caracter competitivo, a que chamou São Silvestre Cidade de Évora e que reune uma média de 300 participantes.

 

O que tem de particular?

- É gratuita
- É aberta a todos os que gostam de correr (5km ou 10km)
- Começa com um aquecimento animado
- Termina com um grande convívio onde o bolo rei e o chá são os protagonistas
- É gratuita (já tinha dito???)
- Há também uma caminhada de 5km

 

É resultado da boa vontade do grupo mas não só, tem muitos e bons parceiros, entidades e empresas da cidade que apoiam a iniciativa e oferecem condições para que tudo decorra com alegria, com boas condições e em segurança.

 

Se quiserem saber mais visitem o evento de facebook neste link


E para se inscreverem é nesta ligação.

 

Um bom ano para todos eclaro... boas corridas!

10 dicas práticas para se iniciar na corrida #45

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1 - Pergunte-se porquê e... escreva!

2 - Defina objetivos realistas e alcançáveis

3 - Guarde registos da sua evolução

4 - Envolva a família e/ou amigos

5 - Nunca diga "eu não consigo"

6 - Estabeleça regras

7 - Adquira equipamento apropriado

8 - Procure pessoas com os mesmos objetivos

9 - Escreva um díário

10 - Comece já

 

Convido-vos a ler em detalhe cada uma destas dicas no blogue Influenciadores neste link!

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