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Um passo nunca vem só

Um passo nunca vem só

Já conhecem os dois tipos de lentos na corrida? #44

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Se alguém abriu este texto a pensar que eu ia classificar tipo de pessoas, não é esse o caso.

 

Uma das minhas mais recentes descobertas é que cada um de nós tem dois lentos dentro de si e descobrir o segundo lento é al-ta-men-te!

 

Então, isto de andar a seguir um plano de treino obriga-me a variar o menu, não só ao longo da semana, mas por vezes num só treino tenho de variar o ritmo.

 

Há uma coisa nos treinos de atletismo a que chamam corrida contínua lenta e que basicamente se eu a fizer devo bater todos os meus recordes pessoais de tempo nas mais variadas distâncias. Isto porque para a malta do atletismo, em que correr abaixo dos 4 minutos por quilómetro é normal e desejável em prova, quando vão fazer um treino lento… correm depressa pra caraças, aos olhos do comum do mortais (mesmo aqueles que são corredores de rua).

 

Então, o meu treino por vezes implica alternar ritmos não especificados, do género: 15 minutos lentos + 15 minutos ritmo de prova + 15 minutos lentos. E era aqui que eu queria chegar. Descobri há pouco tempo que tenho dois lentos.

 

A equação é simples: nos primeiros lentos procurei um ritmo de conforto, aquele em que ainda não me ouço ofegar, depois passo para ritmo de prova e aí meus amigos… é pedal a fundo que a meta está à vista, em modo panela de pressão, ora quando volto aos segundos lentos sinto-me confortável quando deixo de chiar e é curioso que depois do motor ter levado aquele aquecimento já não é fácil (nem confortável) baixar para o ritmo dos primeiros lentos.

 

Isto é giro, é mesmo muito giro e desafiante e compensador, experimentem os vossos lentos que vão adorar conhecer o segundo!

Um passo nunca vem so variações de ritmo (1).jpe     Um passo nunca vem so variações de ritmo (2).jpe

 

Isto de correr está cheio de truques #43

Cumpri hoje a 11ª semana de plano de treinos acompanhada pela Rita Barroso no Equilibrium Centro Terapêutico. 11 semanas completamente novas para mim, habituada nos últimos três anos a correr "à la carte de quilómetros" e em grupo, em que dou por mim a correr "por encomenda de ritmo e duração" e sozinha 90% das vezes.

 

Era importante fazer esta introdução para falar daquilo que se passou hoje. Um treino livre de 2 horas. Senti-me manipulada e dei graças a Deus. Isto de raciocinar em quilómetro é tramado, em tempo de treino é diferente, e vai-se a ver... os quilómetros ficam feitos.

 

Se o meu plano hoje me tivesse "mandado" fazer 20km nem sei se tinha tido ânimo para me levantar da cama. Mas "mandava" correr 2 horas e eu encarei isto com tranquilidade e, sem querer, fiz um treino de 20,6km tranquilamente, sem pressão, sem o drama "ai-jesus-agora-tenho-que-ir-correr-uma-meiamaratona-sozinha".

 

Não custou? Custou, claro: apanhei vento de frente, ao fim de de uma hora já sentia uma moinha num joelho, outra num tendão de aquiles, ao fim de hora e meia comecei a sentir os músculos todos on-fire, parecia que tinha metido um spray refrescante daqueles que picam, só o pulmão é que nunca se queixou. E não se queixou porquê? Não havia a pressão dos quilómetros, o treino era de tempo/duração, e duas horas são duas horas a sprintar ou em modo arrastão e entendi que eram duas horas para fazer a sentir-me bem.

 

Chego à conclusão que isto de correr que é uma coisa tão simples como meter um pé à frente do outro, está afinal cheio de truques e progredir é tudo uma questão de descobrirmos aqueles que fazem mais sentido para nós.